Embriologia


FECUNDAÇÃO


Esta ocorre na região distal da trompa de Falópio, pois quando a ovulação (maiôs ou menos 14º dia de ciclo sexual) o ovário apresenta-se parcialmente recoberto pelas fímbrias da trompa de Falópio, estas captam o ovócito que se encontra em metáfase II da meiose, sendo o mesmo revestido pela Zona Pelúcida e células da Corona Radiata. A fertilização do ovócito compreende em primeiro lugar a passagem do espermatozóide pelas células da corona radiata que como sabemos se faz às custas das enzimas existentes no acrossoma do espermatozóide, depois temos a fusão do espermatozóide com a zona pelúcida e conseqüentemente passagem através da mesma para em seguida ocorrer à anfimixia que é a união dos pronúcleos masculinos e femininos.
A penetração dos espermatozóides através da corona radiata se dá às custas da enzima hialuronidase, provavelmente o movimento da cauda dos espermatozóides deve também contribuir para sua penetração. Já a passagem pela zona pelúcida se faz às custas da enzima acrosina que provoca sua lise. Ambas enzimas são encontradas no acrossoma do espermatozóide.
Assim que um espermatozóide atravessa a zona pelúcida, uma reação zonal ocorre, tornando a zona pelúcida impermeável a penetração de outros espermatozóides, acredita-se que estas alterações físico-químicas seja devida aos grânulos corticais liberados pelo Complexo de Golgi dos ovócitos secundários que contêm enzimas lisossomais que induzem a reação zonal.
Convém lembrar que quando a cabeça do espermatozóide liga-se à superfície do ovócito secundário  as membranas plasmáticas se fundem, rompendo-se depois no ponto de união, assim a cabeça e a cauda do espermatozóide penetram no citoplasma do ovócito, deixando a membrana plasmática do espermatozóide unida à membrana plasmática do ovócito. Agora o ovócito completa sua segunda divisão da meiose formando um óvulo maduro e o segundo corpúsculo polar, o núcleo do ovócito é conhecido como pronúcleo feminino. Dentro do citoplasma do óvulo, a cauda do espermatozóide degenera e a cabeça torna-se o pronúcleo masculino. Finalmente os pronúcleos masculino e feminino juntando-se no centro do óvulo, onde perdem suas membranas nucleares e os cromossomos paternos e maternos se misturam na metáfase da primeira divisão do zigoto.
Evidentemente que como resultados imediatos da fecundação, temos o restabelecimento do número de cromossomos diplóides característicos da espécie e a determinação do sexo. Alem de permitir que ocorra a ativação do ovo, que são divisões mitóticas sucessivas (clivagens) que ocorrem após a fecundação.
Da trompa de Falópio, o ovo deve chegar até a cavidade uterina, isto se faz às custas de batimentos ciliares da própria trompa. Na cavidade uterina, na fase de blástula do desenvolvimento embrionário, irá ocorrer a implantação; isto significa que todo o processo de segmentação ocorre no interior da própria trompa de Falópio.
Se o ovócito não for fecundado, o mesmo permanece viável por um período de um ou dois dias, após o que entra em degeneração, já o espermatozóide no organismo feminino também apresentam um período de viabilidade por cerca de dois dias.


SEGMENTAÇÃO


Cerca de 30 horas após a fecundação, a célula-ovo divide-se em dois blastômeros, a segunda divisão de segmentação não é sincrônica, isto porque na primeira divisão de segmentação formam-se dois blastômeros levemente desiguais, sendo que o menor divide mais rapidamente e teremos um estágio tricelular, mas cerca de 50 horas após a fecundação temos quatro blastômeros. No terceiro dia de desenvolvimento temos 12 a 16 blastômeros e com esse número de blastômeros alcança o estágio de mórula, o estágio de mórula atinge o endométrio uterino. No 4º dia de desenvolvimento aparecem espaços dentro da massa compacta de blastômeros que formam a mórula, esses espaços são imediatamente ocupados por líquido uterino, lembramos que no 4º dia de desenvolvimento estamos no 18º dia do ciclo mestrual, onde as glândulas endometriais estão secretando ativamente. Com o aumento deste fluído uterino entre os blastômeros este separa as células em duas áreas distintas: uma camada de células externas denominada trofoblasto, responsável pela nutrição e proteção, pois estas células entrarão na formação dos anexos embrionários e uma camada de células localizadas centralmente denominada de massa celular interna em embrioblasto ou nó embrionário. Estas células serão responsáveis pela formação do embrião propriamente dito. Os espaços cheios de líquido uterino se juntam para formar uma cavidade única denominada por cavidade de segmentação ou cavidade blastocística ou blastocele. Isto é correspondente ao estágio de blástula e o concepto em desenvolvimento recebe o nome de blastocisto, então o blastocisto é formado pelo trofoblasto e por um grupo de células centrais, o embrioblasto.
No 5º dia o blastocisto permanece livre das secreções uterinas e a zona pelúcida degenera e desaparece completamente. Já no 6º dia o blastocisto se junta ao endométrio uterino, quando isso ocorre o trofoblasto começa a se proliferar e a se diferenciar em duas camadas distintas: citotrofoblasto que corresponde a uma camada de células internas e sinciciotrofoblasto externo que corresponde a uma massa protoplasmática que não se observa limites nítidos entre uma célula e outra, temos portanto uma massa protoplasmática multinucleada (sincício). Posteriormente no 7º dia por ação enzimática, pois acredita-se que o sinciciotrofoblasto produz prolongamentos digitiformes do sinciciotroblasto consigam penetrar no epitélio endometrial iniciando-se a implantação ou nidação. No início, local da implantação é recoberto por um coágulo de fibrina e posteriormente o local da implantação é recoberto pela proliferação das próprias células endometriais de tal forma que o embrião em desenvolvimento não toma contato com a luz do útero. A esse tipo de implantação chamamos de intersticial.
Ressalta-se também que no 7º dia, enquanto o blastocisto está se implantando, ocorre a diferenciação no embrioblasto, dando origem a duas camadas celulares distintas, uma delas é formada por células cilíndricas e a outra por células cubóides. Estas duas camadas celulares representam os folhetos embrionários: ectoderma e endoderma, respectivamente. Como nesta fase o concepto em desenvolvimento assume a forma de um disco, denomina-se de disco germinativo bidérmico.
Normalmente o útero é o local onde a implantação ocorre normalmente, todavia esta pode ocorrer em outros locais, sendo o mais comum na trompa de Falópio, mas pode também ocorrer na cavidade abdominal, pelviana, no óstio uterino (placenta prévia) e até mesmo no ovário. Nestes casos o desenvolvimento embrionário progride até por volta de 50 dias, quando ocorre morte do embrião e forte hemorragia materna.
Praticamente durante a 2ª semana de desenvolvimento o disco germinativo não sofre grandes modificações, enquanto o trofoblasto sofre várias modificações. Assim é que entre o citotrofoblasto e o ectoderma do disco germinativo aparecem pequenos esboços que se juntam para forma uma cavidade única chamada de cavidade amniótica que apresenta-se formada por células ectodérmicas que a forram, enquanto na parte superior temos células derivadas do citotrofoblasto denominadas de amnioblastos. Do outro lado endodérmico observa-se que o citotrofoblasto dá origem a uma camada de células achatadas que se dispõe a formar uma membrana, a mesma membrana de Hellser, que reveste uma cavidade chamada de saco vitelino primitivo.
Nesta fase do desenvolvimento existe uma proliferação ativa do trofoblasto, com relação ao sinciciotrofoblasto, o mesmo continua com sua ação digestiva sobre o endométrio uterino, deixando também lacunas provenientes de pequenos espaços que se juntam como em sua ação digestiva, capilares maternos podem ser rompidos por ação do sinciciotrofoblasto, o sangue pode fluir para as lacunas, banhando diretamente a superfície do sinciciotrofoblasto e iniciando a futura circulação uteroplacentária.
Entre o 8º e o 9º dia de desenvolvimento embrionário observa-se que ao longo de toda a superfície interna do citotrofoblasto deslocam-se células que se posicionam afastadas umas das outras para formar a mesoderma extra-embrionário. Este tecido reveste internamente o âmnio e o saco vitelino primitivo, portanto o disco germinativo bidérmico, a cavidade amniótica e o saco vitelino primitivo deixa de ficar em contato direto com o citotrofoblasto.
No interior do celoma extra-embrionário aparecem espaços que se juntam para formar o celoma extra-embrionário. Com o aparecimento do celoma extra-embrionário observamos que o mesoderma extra-embrionário se divide em duas porções: uma que reveste o citotrofoblasto e epitélio amniótico chamado mesoderma somático e uma porção que reveste o citotrofoblasto  e epitélio do saco vitelino denominado de mesoderma esplâncnico. Também observamos que no pólo embrionário existe uma região em que o mesoderma extra-embrionário é formado por células justapostas, sem espaços, constituindo o pedúnculo do embrião, que representa o futuro cordão umbilical.
Com cerca 11 dias de desenvolvimento observamos que o endoderma do disco germinativo se prolifera e reveste todo o saco vitelino primitivo que passa a chamar-se saco vitelino definitivo.
Não se sabe ainda qual é o processo pelo qual se forma o saco vitelino definitivo, se por delaminação da endoderme ou por crescimento das células endodérmicas. Nesse período ao nível do pólo embrionário formam-se as vilosidades primárias formadas pelo citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto que representa o início das vilosidades placentárias. Posteriormente, tais vilosidades primárias adquirem um eixo de mesoderma extra-embrionário e são referidas agora como vilosidades secundárias ou coriônicas, pois ao conjunto formado por citotrofoblasto, sinciciotrofoblasto e mesoderma extra-embrionário dá-se o nome de cório. Maiores detalhes sobre estes aspectos serão dados no estudo da placenta.


GASTULAÇÃO

No final da semana de desenvolvimento embrionário o disco germinativo é formado por ectoderma e endoderma sendo que o ectoderma representa o assoalho da cavidade amniótica e o endoderma representa o teto do saco vitelino.
Devemos lembrar também que toda superfície externa do disco germinativo é revestida pelo mesoderma extra-embrionário. Embora o disco germinativo apresente forma circular este já apresenta uma simetria bilateral que é dada pelo pedúnculo do embrião que representa a região caudal e por um espessamento do endoderma chamado placa precordal, situada na região  cefálica.
A gastrulação inicia-se por volta do 13º dia, com um ativo movimento de células para formar o terceiro folheto embrionário, o mesoderma (não confundir com mesoderma extra-embrionário que tem origem do trofoblasto). Neste período de desenvolvimento as células ectodérmicas se proliferam e migram para a região caudal do disco germinativo para formar a linha primitiva.
Através da linha primitiva, novas células ectodérmicas migram para o interior do disco germinativo e se constituem no mesoderma. A ativa migração de células pela linha primitiva leva a formação do chamado sulco primitivo.
Entre o 14º e o 15º dia de desenvolvimento aparece na região cefálica da linha primitiva um espessamento celular denominado nó de Hensen. Através desse também  ocorre ativa migração de células para formar o processo notocordal que se insere entre ectoderma e endoderma até a placa precordal. A migração de células pelo nó de Hensen leva a formação da fosseta primitiva.
Devemos observar que a formação do material cordomesoblástico se produz por um processo de imigração celular, isto é, as células ectodérmicas se deslizam em profundidade ao nível da linha primitiva. Devemos ressaltar também que existem duas áreas em que o mesoderma não penetra e que são referidas como membrana cloacal, que se localiza caudalmente na linha primitiva e membrana faríngea localizada cefalicamente a placa precordal. Nestas duas áreas o ectoderma está em íntimo contato com o endoderma.
Cefalicamente à placa precordal, o mesoderma forma uma área especial denominada por área cardiogênica que originará o coração.
Posteriormente, a face ventral do processo notocordal funde-se com o endoderma subjacente, estabelecendo-se uma comunicação, o canal neurentérico, entre a luz do âmnio e a luz do saco vitelino, através da fosseta  primitiva. Esta situação rapidamente se modifica pois o processo notocordal separa-se do endoderma, assumindo a forma de um cordão celular maciço, que representa a notocorda definitiva. Portanto no processo de formação das notocorda definitiva temos três estágios distintos: o primeiro com formação do processo notocordal, o segundo estágio ocorre com a formação da placa notocordal e regressão do canal neurentérico e o terceiro estágio ocorre com a formação da notocorda definitiva ao redor do 20º dia de desenvolvimento.
Concluindo podemos dizer que a migração de células para formar o mesoderma ocorre em maior volume ao nível da região cefálica. Gradativamente o disco germinativo se alonga, tornando piriforme com a região cefálica mais larga, mas devemos lembrar que a linha primitiva não acompanha o crescimento do disco germinativo, sofrendo um processo de involução. Entretanto, até o final da 4ª semana a L. P. fica como área de ativa migração de células.
No final da gastrulação ocorre a formação do tubo neural. Ao redor do 18º dia de desenvolvimento embrionário as células ectodérmicas situadas acima da notocorda se espessaram para formar a placa neural.
Ao redor do 20º dia de desenvolvimento a placa neural se aprofunda para se constituir no sulco neural.
As bordas do suco neural se aproximam da linha média, onde se fundem para formar o tubo neural.
Ao redor do 22º dia o tubo neural está formado e apresenta as duas extremidades abertas que são denominadas de neuroporos anterior e posterior.
Durante este processo destacam-se porções laterais da placa neural dando origem às cristas neurais que posteriormente se separam e localizam-se em posição dorsal ao tubo neural.
A porção cefálica do tubo neural desde o inicio apresenta-se mais desenvolvida.
Nesta região se formam as três vesículas encefálicas primitivas: o prosencéfalo, o mesencéfalo e o rombencéfalo .
Posteriormente o prosencéfalo  se divide em telencéfalo e diencéfalo, o mesencéfalo não se divide e o rombencéfalo  se divide em metencéfalo e mielencéfalo.
Sabemos que telencéfalo, diencéfalo e mesencéfalo, juntos, formam o cérebro, o metencéfalo, o cerebelo e por último o mielencéfalo é responsável pelo bulbo.
Durante a gastrulação, mas independentemente desta, ocorre à formação do alantóide que deriva de uma invaginação do teto do saco vitelino, expandindo-se no interior do pedúnculo do embrião, mas sem atingir o trofoblasto, portanto o faz de maneira discreta.


ORGANOGÊNESE

Já sabemos que até o início da gastrulação, o embrião é formado por um disco germinativo bidérmico, no qual o ectoderma e endoderma dispõem-se como folhetos epiteliais, sem que se observe o esboço de qualquer órgão. Depois, ou mesmo durante a gastrulação, o desenvolvimento embrionário caracteriza-se pelo início da formação dos órgãos, com a formação do terceiro folheto embrionário, o mesoderma. É importante saber que a partir destes três folhetos embrionários derivam todos os órgãos através dos chamados movimentos morfogenéticos de grupos celulares dando os esboços primários que se dividem em esboços secundários, que se proliferam rapidamente, além de sofrerem um processo de diferenciação. Após a diferenciação cada órgão está apto para exercer uma função específica.
A seguir daremos a sinopse geral de tecidos e órgãos que derivam dos três folhetos germinativos.

ECTODERMA
Constitui o folheto dorsal do disco germinativo que continua lateralmente e reveste a cavidade amniótica internamente. Dele se diferencia:

1.        todo sistema nervoso central, inclusive a retina e nervo óptico. Devemos lembrar que as meninges, vasos sangüíneos e micróglia, embora sejam estudadas dentro do sistema nervoso, têm outra origem embrionária;
2.        hipófise;
3.        cristalino, epitélio anterior da córnea;
4.        lâmina epitelial externa do tímpano;
5.        esmalte dos dentes;
6.        epitélio da porção baixa do canal retoanal e das partes terminais das vias genitourinárias;
7.        epitélio da porção anterior da boca, glândulas bucais e epitélio das cavidades nasais;
8.        epitélio da pele e seus derivados: pêlos e unhas;
9.        porções epiteliais das glândulas sebáceas, sudoríparas, e mamárias;

ENDODERMA

Epitélio do revestimento do alantóide e saco vitelino. Reveste ventralmente o embrião. Dele se origina:

1.     epitélio do tubo digestivo, exceto as porções bucal e anal das glândulas (parênquimica do fígado, pâncreas, tiróide, paratireóide e timo);
2.     epitélio da trompa de Eustáquio e ouvido médio (inclusive a lâmina interna do tímpano);
3.     epitélio da bexiga (exceção feita ao trígono) à parte da vagina, a uretra feminina e masculina, juntamente com as glândulas que derivam desse epitélio.

MESODERMA

Durante a neurulação observamos anteriormente que o mesoderma se diferencia em três porções: paraxial, intermediária e lateral.
O mesoderma paraxial compreende o mesoderma que se localiza como duas faixas laterais a notocorda. No final do primeiro mês de desenvolvimento, este mesoderma segmenta-se, formando de 42 a 44 pares de blocos chamados somitos. A formação dos somitos começa na região cefálica e progride para a região caudal. Os somitos se diferenciam em três partes.
Esclerótomo – é a primeira porção a sofrer modificação, pois suas células se diferenciam em células mesenquimais que migram em direção a notocorda e envolve-a . Do esclerótomo se original vértebras e costelas. As células mesenquimais originam os diversos tipos de tecidos conjuntivos, inclusive ossos e cartilagens.
Miótomo – deste deriva a maior parte da musculatura estriada do corpo.
Dermátomo – origina a derme.
Mesoderma intermediário – une o mesoderma paraxial ao lateral. Deste origina o aparelho excretor.
Mesoderma lateral – único que permanece com forma laminar, no seu interior aparecem espaços que se juntam para formar o celoma intra-embrionário que no início é uma cavidade única, mas que posteriormente se dividirá nas cavidades pleurais, pericárdia e peritoneal, respectivamente, os pulmões, o coração e o tubo digestivo.
A folha do mesoderma lateral fica em contato com o ectoderma forma a somatopleura, junto com este, e a que fica em contato com o endoderma forma junto com ele a esplancnopleura que formará toda a espessura da parede do tubo digestivo.
O mesoderma intra-embrionário origina também: as células sangüíneas, todo o sistema vascular, incluindo os vasos linfáticos, os órgãos hematopoiéticos, as gônadas, a porção cortical das supra-renais e a micróglia.
Admite-se, atualmente, que o mesênquima  não se origina exclusivamente dos somitos, mas de qualquer ponto onde exista mesoderma secundário. Estas células, possuindo grande capacidade de diferenciação, resultam nos elementos constituintes dos seguintes tecidos:

1.         células dos tecidos conjuntivos propriamente ditos (fibroblastos, histiócitos, células adiposas, mastócitos, plasmócitos);
2.         células das cartilagens e ossos;
3.         micróglia;
4.         músculos lisos da musculatura visceral;
5.         endotélio dos vasos sangüíneos e linfáticos;
6.         miocárdio;
7.         formação linfóides e baço;
8.         elementos figurados do sangue: hemácias, plaquetas e leucócitos;
9.         bainhas conjuntivas dos músculos, ligamentos e tendões;
10.     determinados corpúsculos nervosos.


Fechamento e modelagem do embrião

Descrevemos até agora os estágios iniciais do desenvolvimento, desde a fecundação até a formação do disco germinativo tridérmico, durante a gastrulação o contorno circular do blastoderma de disco plano alonga-se gradativamente no sentido antero-posterior ou cefalocaudal. Entretanto, no todo, o embrião persiste ainda como uma estrutura laminar, com os três folhetos dispostos em camadas. Além deste fato não existe limite preciso entre as porções intra e extra-embrionário, pois o endoderma que reveste o teto do saco vitelino (extra-embrionário) é também o folheto embrionário e o mesoderma intra-embrionário continua como o extra-embrionário.
Esta é a razão que durante a 3ª e a 4ª semana de desenvolvimento o disco germinativo tridérmico sofre um complexo sistema de dobramento, que resultará na transformação de um ser trilaminar achatado em um ser tubular. Este processo se faz graças à formação das pregas cefálicas, caudal e lateral. O crescimento em extensão do tubo neural e mesoderma paraxial faz com que o embrião se curve assumindo a forma de um C, enquanto isto ocorre, paralelamente, as pregas cefálica, caudal e laterais aprofundam-se na direção ventral na região mediana do disco germinativo que é denominada de região umbilical.
Assim como o crescimento da prega cefálica, a área cardiogênica é deslocada para uma região anterior a placa precordal e esta posiciona caudalmente a extremidade cefálica do tubo neural. Isto também se observa na região caudal do disco embrionário, com o deslocamento do alantóide que agora se posiciona cefalicamente em relação à membrana cloacal e esta cefalicamente a extremidade caudal do embrião.
As dobras laterais completam totalmente o fechamento da face ventral do embrião, com exceção feita à região do cordão umbilical.
De maneira geral as conseqüências da delimitação do corpo do embrião são as seguintes:
1.     expansão da cavidade amniótica que envolve todo o embrião;
2.     saco vitelino sofre o estrangulamento e passa a se unir ao embrião simplesmente pelo pedúnculo do saco vitelino;
3.     endoderma intra-embrionário reveste uma cavidade alongada, o intestino primitivo;
4.     mesoderma intra-embrionário separa-se do extra-embrionário delimitando-se assim o celoma intra-embrionário;
5.     o pedúnculo do embrião localiza-se na região ventromediana do embrião, e posteriormente junta ao pedúnculo do saco vitelino, sendo o conjunto revestido pelo epitélio amniótico formando-se assim o cordão umbilical.


DESENVOLVIMENTO DA FORMA EXTERNA

O desenvolvimento pré-natal é dividido em três períodos, estabelecidos pela maioria dos embriologistas: período pré-embrionário, que vai da fecundação até a terceira semana de desenvolvimento, período embrionário, que vai da quarta semana à oitava semana, e o fetal, que vai do terceiro mês até o final da gestação.
Período pré-embrionário – vai da fecundação até a gastrulação. No final da terceira semana o embrião já tem o tubo neural formado, embora ainda esteja aberto nas duas extremidades.
Período embrionário – no início da quarta semana e durante os próximos 10 dias surgem os somitos, sendo possível determinar-se à idade do embrião pelo número de pares de somitos. Assim com 20 dias de desenvolvimento de 1 a 4 pares de somitos; com 21 dias de 4 a 7 pares de somitos; com 22 dias de 7 a 10 pares de somitos e com 30 dias de 34 a 35 pares de somitos.
Costuma-se, a partir do segundo mês, expressar a idade do embrião pelo comprimento vértice-nádega que é dado pela distância entre a linha reta do vértice cefálico até a região caudal.
Como o grau de curvatura difere de um embrião para outro, as medidas fornecidas pelo comprimento vértice-nádega fornecem valores aproximados da idade do embrião. Dentro do segundo mês ainda ocorre a formação da face e dos membros. Os membros aparecem como projeções cônicas, lembrando a estrutura dos animais adaptados à vida aquática.
Período fetal – no terceiro mês o embrião adquire aspecto humano e passa a ser chamado feto. Neste período ocorre essencialmente o crescimento do feto, sendo porém o crescimento da cabeça menor do que o do corpo. Isto justifica o fato de que no início do terceiro mês, a cabeça constitui praticamente a metade do comprimento do feto e no final do terceiro mês reduz para um terço doe comprimento do feto.
Neste período, como os membros anteriores e posteriores estão formados, o comprimento do feto é dado pela medida vértice-talar (V-T) que corresponde à altura do feto em pé.


ÂMNIO

Já vimos que o âmnio forma-se c0om cerca de sete dias de desenvolvimento, na forma de um saco membranoso que envolve o embrião e posteriormente o feto. Com o desenvolvimento do âmnio ele fecha gradativamente a cavidade coriônica e as bainhas do cordão umbilical, formando para o cordão umbilical seu revestimento epitelial.
No interior do âmnio acumula-se o líquido amniótico que inicialmente dever ser sintetizado pelas próprias células do âmnio, mas que posteriormente deverá provir do soro materno, já que apresenta a mesma constituição em solutos do soro materno, e suas células são dotadas de microvilosidades que provavelmente desempenham papel de transferência do líquido amniótico. Descarte que o feto também contribui, pois excreta urina no líquido amniótico e no final da gravidez o feto elimina cerca de 500 ml de urina no líquido amniótico diariamente.
O volume de líquido amniótico aumenta gradativamente. Assim temos cerca de 30 ml no início do 3º mês, 350 ml no final do 5º mês e cerca de 1.000 ml no final da gravidez.
Quando o volume de líquida amniótico está diminuindo (cerca de 400 ml) no trimestre final da gravidez, a isto chamamos oligoidrâmnio e pode estar relacionado com a agenesia renal do feto, não fornecendo urina para o líquido amniótico ou com problemas placentários, por exemplo, redução do fluxo sangüíneo. Por outro lado, podemos ter aumento exagerado do líquido amniótico (cerca de 2000 ml), a isto chamamos polidrâmnio. Neste caso o feto apresenta problemas de deglutinação, como atresia esofagiana que impede a passagem de líquido para o estomago e intestino ou com mal formações do sistema nervoso como anencefalia.
Já nos referimos acima que o líquido amniótico estando aumentado pode ser que o feto não esteja deglutindo o líquido amniótico. Isto equivale a dizer que em situações normais o feto absorve no último trimestre de gravidez, cerca de 400 ml de líquido amniótico por dia, passando a maior parte do líquido para o trato gastrintestinal e pequena parcela para os pulmões.
A análise do líquido amniótico feita por punção, processo denominado amniocentese  permite na detecção de análises cariotípicas, pois este contém células fetais em suspensão, dando para detectar-se anomalias cromossômicas. Também como o líquido amniótico serve de depósito para excretas fetais, quando a urina fetal é adicionada ao mesmo, permite a análise bioquímica de enzimas fetais, aminoácidos, hormônios e outras substâncias fetais.
Portanto, podemos dizer que o líquido amniótico se compõe de células fetais descamadas e de substâncias orgânicas e inorgânicas e cerca de 98% de água. Devemos lembrar que dos componentes orgânicos temos 50% de proteínas e outros 50% são de carboidratos, lipídios, enzimas, pigmentos e hormônios.
As funções que o líquido amniótico desempenha são as seguintes:
1.     permite o crescimento externo simétrico do embrião;
2.     protege o embrião contra choques mecânicos;
3.     impede a fixação do embrião contra as paredes que o contém;
4.     mantém a temperatura corporal do embrião relativamente constante;
5.     permite ao feto movimentar-se livremente; isto ajuda no desenvolvimento musculoesquelético fetal.


SACO VITELINO

O saco vitelino também se forma no início do desenvolvimento embrionário e no final da segunda semana de desenvolvimento embrionário. mesmo já adquiriu uma forma definitiva, sendo formado por endoderma revestido externamente por mesoderma extra-embrionário. No início do terceiro mês, observa-se que a vesícula vitelina diminui e adquire um aspecto periforme, estando ligada ao intestino médio pelo pedículo do saco vitelino. No inicio do 5º mês a vesícula vitelina é muito pequena e posteriormente é praticamente impossível visualizá-la.
Evidentemente que no caso humano ela não é funcional do ponto de vista de armazenamento de vitelo. Evidentemente tem outras funções importantes para o desenvolvimento embrionário humano, como os que seguem:
1 - transferência de nutrientes para o embrião, na 2ª e 3ª semanas de desenvolvimento enquanto se processa a circulação uteroplacentária;
2 - da 3ª a 5ª semana de desenvolvimento o saco vitelino tem função hematopoiética, isto é, formadora dos elementos do sangue. Somente na 6ª semana é que o fígado inicia sua função hematopoiética ;
3 - durante a 4ª semana, parte dorsal do saco vitelino é incorporada ao embrião como intestino primitivo ;
4 -na 3ª semana, a parede do saco vitelino forma as células germinativas primordiais que posteriormente migram para as gônadas onde originam as células germinativas (espermatogônia ou ovogônia).




ALANTÓIDE


Surge precocemente no desenvolvimento embrionário, parecendo provável que o mesmo derive do teto do saco vitelino no ponto em que este está em contato vem a área posterior do disco germinativo ou blastoderma (futura região posterior do embrião). Estruturalmente representa um saco alongado, sendo formado por um epitélio endodérmico revestido por mesoderma extra-embrionário. No homem o crescimento do alantóide pára no segundo mês de desenvolvimento e a partir daí regride, obliterando-se por completo. Resquícios desta formação podem ser vistos no cordão umbilical de fetos de poucos meses.
Seu significado funcional no desenvolvimento embrionário humano são os seguintes:

1.                 função hematopoiética com formação dos elementos figurados do sangue da 3ª até a 5ª semana de desenvolvimento embrionário.
2.                 vasos sangüíneos derivados do alantóide formam as duas veias e artérias que correm no cordão umbilical.

Já nos referimos que a porção intra-embrionária do alantóide vai do umbigo à bexiga urinária, com a qual é contínua. À medida que a bexiga cresce, o alantóide regride para formar o úraco. Após o nascimento o úraco torna-se um cordão fibroso, o ligamento umbilical mediano que vai do teto da bexiga ao umbigo.

PLACENTA


Órgão responsável pelas trocas metabólicas entre a mãe e o feto, sendo formada por tecido fetal (cório) e por tecido materno (endométrio uterino). Hoje tende a se considerar a placenta como um sistema de transferência entre a mãe e o feto e não mais como uma membrana interposta entre a mãe e o feto com finalidade de proteção contra drogas ingeridas pela mãe, ataque de microrganismos etc.
Anteriormente nos referimos que no 7° dia de desenvolvimento, o trofoblasto diferenciava-se em citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto, este por sua vez aprofundava-se como raízes no endométrio uterino, sendo que o ovo em desenvolvimento ficava envolvido pela mucosa uterina, que agora é referida como decídua, sendo que as células deciduais tornam-se hiperplásicas, com grande acúmulo de glicogênio e lipídios.
A implantação pode ocorrer em qualquer região da mucosa uterina, sendo que normalmente esta se dá nas paredes laterais ou anterior e posterior e ainda m fundo do útero. Portanto em relação ao local da implantação podemos distinguir três decíduas. Em primeiro lugar temos a região em que se implanta o ovo, portanto é a porção subjacente ao embrião e que representa o componente materno da placenta a que nos referimos como decídua ba­sal. A decídua basal contribui pouco para a formação da placenta, constituindo cerca de 7 mm de espessura no final da gravidez. Em segundo aparece à porção que envolve todo o embrião, é a decídua capsular. E por último todo o restante da mucosa uterina referida agora atrai decídua parietal.
Com cerca de 12 dias de desenvolvimento os cordões trofoblásticos crescem em toda a superfície do embrião e se organizam formando estruturas digitiformes chamadas vilosidades primárias. Com cerca de 20 dias de desenvolvimento, as vilosidades adquirem um eixo de mesênquima e são referidas como vilosidades secundárias ou coriônicas.
Mais ou menos até o final do segundo mês, as vilosidades cobrem toda a superfície do saco coriônico. Com o desenvolvimento do saco coriônico as vilosidades associadas à decídua capsular comprimidas e o seu suprimento sangüíneo reduzidos. Posteriormente, estas vilosidades degeneram, produzindo uma área praticamente avascular denominada de cório liso.
No terceiro mês as vilosidades ramificam-se muito, adquirindo aspecto arborescente podendo­se observar um tronco viloso de onde partem ra­mos, sendo que as extremidades de alguns destes ramos chegam até a decídua basal onde se fixam. Nos pontos de fixação dos ramos com a decídua basal, o trofoblasto se prolifera e reveste toda a superfície da decídua basal. Por­tanto, a cavidade por onde circula o sangue materno se encontra revestida totalmente por células originadas do trofoblasto.
Como o sinciciotrofoblasto não digere totalmente a mucosa uterina da decídua basal, deixando regiões que são denominadas por septos deciduais, são constituídos por cristais descontínuas que delimitam espaços irregulares, os cotilédones que representam a unidade morfofuncional da placenta e contém troncos vilosos banhados por sangue materno.
No quarto mês de desenvolvimento embrionário a placenta está totalmente formada, mas seu crescimento persiste até o final da gravidez quando apresenta forma discóide, pesa cerca de 600 g, possui um diâmetro de cerca de 20 cm e uma espessura de cerca de 3 cm, sendo que a face fetal é lisa e nela se insere o cordão umbilical e a materna é irregular devido à presença de septos deciduais.
Convém ressaltar que o sangue embrionário circula nas áreas infra e extra-embrionária, como sangue venoso, sendo levado até os capilares dos reptos deciduais que estão mergulhados no sangue ma­terno, mas sangue materno e embrionário não se misturam graças à barreira placentária que são interpostas entre a circulação materna e fetal. No caso humano a barreira placentária é composta por sinciciotrofoblasto, mesênquima e endotélio dos capilares fetais. No quinto mês as células citotrofoblásticas desaparecem, reduzindo a espessura desta barreira e os capilares fetais aproximam do sinciciotrofoblasto diminuindo a camada de mesênquima que fica entre sinciciotrofoblasto e endotélio.


HORMÔNIOS PLACENTÁRIOS


A placenta produz hormônios protéicos e esteróides. Os hormônios protéicos são representados pela gonadotrofina coriônica e somatotrofina coriônica; já os esteróides são representados por estrógeno e progesterona.
Hormônios protéicos: o hormônio gonadotrofina coriônica é uma glicoproteína produzida pelo sinciciotrofoblasto e sua função é manter o corpo lúteo em funcionamento, permitindo a manutenção do endométrio uterino até que a placenta produza esterógeno e progesterona. Portanto, este hormônio tem ação similar à do hormônio luteinizante hipofisário.
A síntese deste hormônio inicia-se logo depois da implantação e sua concentração máxima no sangue e urina é atingida por volta da 8ª semana de gravidez, e partir daí, sua concentração vai diminuindo gradativamente.
Dosagem da gonadotrofina coriônica constitui a base dos vários testes de gravidez, além de fornecer indicações seguras sobre o desenvolvimento do trofoblasto. Quando as dosagens estão altas, pode indicar:
a) gravidez múltipla, isto é, leva à formação de gêmeos;
b) mola hidatiforme, representa uma neoplasia benigna, onde as vilosidades apresentam-se sem vasos sangüíneos, trofoblasto com única camada de células e cada célula bastante distendida assemelhando-se a cachos de uva.
As molas hidatiformes normalmente se localizam na cavidade uterina e raramente nos locais de gravidez etiópica, sendo comum o crescimento uterino além do esperado para aquele tempo de gravidez, entretanto o seu desenvolvimento leva a uma estrutura deformada e amolecida. É óbvio que as molas de volume reduzido não alteram o volume uterino.
c) Coriocarcinoma - é uma forma de tumor maligno dos elementos trofoblásticos,                  cuja incidência fica ao redor de 2,5%. Sua característica funda­mental é a anaplasia acentuada, exibindo e mesma morfologia dos tumores benignos e até mesmo do trofoblasto das gestações normais. Propaga-se o coriocarcinoma pela via hematogênica, apesar de ser um tumor epitelial, sendo desprovido de vasos sangüíneos próprios e de tecido conjuntivo. As lesões são infiltrantes, invasoras ou metastatizantes, órgãos longínquos poderão exibi-las, sendo a localização mais comum das metástases os pulmões, sis­tema nervoso central, fígado, rins, pele, coração, intestinos, vulva e vagina. Todavia existem casos em que o coriocarcinoma é localizado (in situ) e portanto desprovido de poder invasor, sendo seu prognóstico bom, uma vez que no seu acompanha­mento os acidentes representam exceção.
A síntese de somatotrofina coriônica ou hormônio de crescimento placentário cresce gradativamente até a 38ª semana de desenvolvimento; a partir daí permanece o seu nível estável ou diminui muito pouco. Se a concentração de somatotrofina coriônica atingir níveis baixos, podemos suspeitar de lesão placentária que pode levar o feto a um déficit da taxa de oxigênio. As dosagens deste hormônio representam uma maneira eficaz de se fazer uma avaliação da função placentária.
Os hormônios esteróides são sintetizados pelo sinciciotrofoblasto e suas concentrações aumentam gradativamente durante a gravidez. A função da progesterona é manter o endométrio uterino desenvolvido para que a gravidez chegue até o final. Admite-se que o aumento da concentração de estrógeno placentário leva a um aumento da sensibilidade do miométrio à ação do ocitocina, hormônio hipofisário responsável pelas contrações uterinas que ocorrem durante o parto.

DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO HUMANO

GENARILADES

De uma simples célula, menor que a cabeça de um alfinete, até a criança que nasce, decorre uma espantosa série de alterações estruturais. Só em volume, o ser em desenvolvimento aumenta cerca de 7 bilhões de vezes. Além disso, a proliferação das células descendentes da célula-ovo obedece a padrões rigorosos e instruções que talvez sejam milhares de vezes mais complexas do que as  poderiam ser armazenadas em toneladas de computadores modernos. As células, sem se divorciarem do conjunto, vão se diferenciando em grupos com funções específicas, cada vez mais diferentes que as originas. Quando finalmente se completa o desenvolvimento do feto, as células se cortam aos bilhões, em dezenas de variedades de tecidos e órgãos, diferentes em estrutura, tamanho, forma e composição química. Como em tantos outros fenômenos fascinantes da biologia, as observações científicas são insuficientes para explicar a natureza íntima do processo. E a maior parte do conhecimento alcançado limita-se a alterações físicas aparentes do desenvolvimento embrionário e fetal.

PRIMEIRO MÊS DE DESENVOLVIMENTO

Pouco depois da fecundação, a grande atividade provocada no óvulo pela entrada do espermatozóide dá lugar a primeira divisão do ovo, da qual remitam duas células. No início do quarto dia acorrem 12 a 16 blastômeros; dizemos que está formada a mórula, que se apresenta como uma bola maciça, formada por células arredondadas e semelhantes entre si.
Dentro da pequena bola maciça, forma-se uma pequena cavidade; na parede que rodeia essa cavidade, as células se dispõem em dois grupos, uma amada superficial chamada trofoblasto, que irá nutrir e uma massa celular interna
Por volta do décimo dia, o ovo cava um ninho na parede do útero, aonde se acolhe para permanecer por nove meses num ambiente onde não lhe faltarão alimento, água e calor.
O trofoblasto começa a crescer e emitir tentáculos para os tecidos uterinos circundantes. À proporção que os trofoblastos destroem mais tecidos e abrem mais vasos, o útero forma uma barreira de tecidos reforçados para a formação de um órgão definitivo para a nutrição do embrião em crescimento. Tal órgão é a placenta – massa discóide,presa ao embrião pelo cordão umbilical.
A parte verdadeiramente embrionária do ovo é chamada lâmina, formada pela dupla camada de células entre o saco amniótico e a vesícula vitelina. Esta lâmina recebe o nome de disco embrionário; a camada externa é o ectoderma; a interna é o endoderma. Logo a seguir forma-se uma terceira camada chamada mesoderma. O mesoderma além de ficar entre as duas camadas, também expande-se para a área extra-embrionária, para forrar o interior do trofoblasto e revestir âmnios e o saco vitelino.
Quase em seguida (por volta dos dezesseis dias), surgem às células sangüíneas primitivas. Vemos assim, na terceira semana de vida esboçar-se o sistema sangüíneo. ilhotas são formadas, cujas células centrais se libertam e começam a movimentar-se vagarosamente por delgados vasos sangüíneos.
Dentro dos limites do disco embrionário - extremidade cefálica do embrião - esses finos vasos se fundem até se formar o coração. Primeiramente a formação do tubo cardíaco, que, após várias transformações, chega a se formar o coração humano e por fim, contrair e dilatar, forçando o sangue a circular. Isso ocorre por volta do vigésimo quinto dia. Por essa mesma época, também surge o sistema nervoso. Na camada ectodérmica surge à placa neural, cujos bordos da mesma se alteiam como pregas, de modo a constituir um tubo.
Ao fim do 1o. mês, o embrião humano mede aproximadamente 6mm de comprimento com a cabeça muito encurvada para diante, com uma pequena cauda pontuda recurvada abaixo do ventre, não tem face, apenas uma abertura ampla e funda. O coração é grande e por transparência percebem­se no dorso, cerca de trinta e cinco blocos de tecidos, chamados de somitos, que darão origem às massas musculares. Também se observam os arcos branquiais com aparência que lembram costelas.
Estes arcos que são órgãos em formação, são chamados de branquiais porque correspondem às brânquias (órgãos respiratórios dos peixes). Curiosamente, nos primeiros estágios de desenvolvimento, os embriões dos mamíferos não são muito diferentes dos embriões dos outros vertebrados.
No interior do embrião já se acham esboçados órgãos do adulto: olhos, nariz, estômago, pulmões, rins etc.

SEGUNDO MÊS DE DESENVOLVIMENTO

Já no segundo mês, o embrião possui uma face, que, embora grotesca, é inconfundivelmente humana; o pescoço liso suporta a enorme cabeça, os braços e pernas mostram dedos e artelhos, cotovelos e joelhos.
O sexo não só aparece nas glândulas sexuais específicas (testículos e ovários), mas na própria aparência dos órgãos sexuais externos. É por esta época que a cauda humana alcança seu maior desenvolvimento para depois regredir. Durante este sala, o embrião aumenta em comprimento seis vezes (de 6 mm a 35 mm) e aproximadamente quinhentas vezes o peso (100 miligramas).
Ao encerrar o segundo mês, o maxilar inferior ainda é pequeno, o queixo é pouco pronunciado, o nariz é lago e chato, a olhos são muito distantes e a testa proeminente.
Há o aparecimento dos ossos no interior dos braços e pernas e a constituição dos músculos definitivos do indivíduo humano. Durante o 2° mês, surgem a moldes para os componentes da espinha dorsal (33 vértebras), das costelas (12 pares), omoplatas, clavículas, ossos dos braços (3), ossos do punho (8) ossos do pé (19). O segundo mês também é caracterizado pelo aparecimento do fígado, que no final deste, inicia sua função de secretar bile.
O apêndice Caudal (cauda), proeminente no primeiro mês, cresce muito lentamente, de modo que vai se tornando cada vez menos distinto, até incorporar-se á região inferior do tronco, correspondente á pélvis.
Concluindo, podemos dizer que neste período aparecem a primeiros centros de ossificação, principalmente no crânio e nas regiões dos ossos mais longos. Conseqüentemente o corpo perde alguma flexibilidade, salientam-se as formações do rosto e tornam-se também mais nítidos e diferenciados os membros e os dedos. A partir daí, o crescimento se processa com rapidez.
Devemos salientar como aspecto importante do desenvolvimento, que é neste período em que se estabelece em definitivo e padrão da organogênese (formação de órgãos), sendo o feto neste período mais sensível a ação dos agentes teratogênicos



TERCEIRO MÊS DE DESENVOLVIMENTO

Durante o terceiro mês, a boca, o nariz e a garganta sofrem uma melhoria considerável. Do assoalho da boca levanta-se uma cunha do tecido superficial na espessura dos maxilares superior e inferior. Logo essa cunha de tecido se fende em duas, por sulcos profundos do assoalho e na abóboda da boca. Há o aparecimento do gérmen do dente. A transformação de cada gérmen dentário em um dente é complexo.
Embora seja necessário passar mais seis meses para ouvirmos o choro da criança, no terceiro mês, as cordas vocais já surgem. No princípio, essas cordas são grossas e frouxas, sendo que, por volta do meio da gravidez, no seu interior aparecem fibras musculares e elásticas retesadas; porém, na época do nascimento, as cordas vocais são relativamente grossas e arredondadas.
O sistema digestivo do feto começa também a mostrar sinais de atividade. As células que forram o estômago começam a secretar muco. O fígado começa a despejar bile no intestino e inicia uma das suas funções mais importantes, embora temporária, transformar e lançar glóbulos sangüíneos na circulação. É então que surgem no sangue as primeiras células sangüíneas maduras, que são formadas no baço. Pouco a pouco o fígado assume o encargo do baço e mais tarde será, por sua vez, substituído pela medula óssea:
Há o aparecimento do pâncreas, o funcionamento dos rins, secretando urina que é gradualmente evacuada da bexiga fetal para o líquido amniótico.
Durante o terceiro mês, os órgãos sexuais externos do macho passam por um grande progresso; o pênis aumenta de comprimento e se rodeia por um sulco profundo que é o começo da glande. Finalmente a pele e os tecidos subjacentes da região que cerca a base do pênis se engrossam e constituem uma bolsa escroto primitivo. Os testículos ainda não se acham alojados no escroto, ficam na cavidade abdominal durante os sete primeiros meses de vida. Só um pouco depois do nascimento que os testículos descem para o escroto.
O embrião feminino durante este período não sofre muitas evoluções nos órgãos sexuais, sendo que no quarto mês esta evolução ocorre.
Recobrindo os órgãos internos acham-se os ossos e os músculos, que com seu crescimento ininterrupto e ativo traçam a forma e robustez do corpo fetal.
O nariz começa a se modelar; nas cartilagens das palmas das mãos e dos pés, dos dedos e artelhos, começam a surgir pontos de ossificação; os punhos e os tornozelos ainda continuam formados só de cartilagens:
Os batimentos do coração fetal são bastante fortes para poderem ser ouvidos por um estetoscópio.
Ao final do terceiro mês, o cumprimento está quase duplicado em relação ao mês anterior: o feto mede 9 cm e o peso já é de 40 gramas. 0 feto começa a movimentar-se dentro do saco amniótico, embora a mãe ainda não possa perceber os movimentos. O volume da cabeça em relação ao corpo é um pouco menor. As impressões digitais, palmares e dos artelhos estão agora bem desenvolvidas e podem ser claramente estudadas pelos métodos comuns. Portanto ao final desse período, o primeiro trimestre de desenvolvimento, todos os grandes sistemas de órgãos estão formados.

QUARTO MÊS DE DESENVOLVIMENTO


No 4º mês: o comprimento é de cerca da 20 cm e o peso aproximadamente 200 gramas. A pele finíssima, é desprovida da camada gordurosa subcutânea. Esta condição de transparência dá ao feto a cor vermelha característica, correspondente à rede capilar e a tecidos irrigados de sangue. Os rins começam a funcionar, mas sem a função excretora típica. Os: rins, no quarto mês, filtram a água e resíduos catabólicos do sangue, emitem urina para a bexiga e daí para o líquido amniótico, que é deglutido pelo feto. Portanto, os resíduos voltam ao sangue. Para eliminá-los é preciso que o sangue fetal os transporte pelo cordão umbilical, até a placenta.
Durante o quarto mês a mãe começa a perceber os movimentos fetais O início dos movimentos perceptíveis é um dado importante, na obstetrícia clínica, para cálculo da data provável do parto, quando a mulher tem dúvidas quanto á data em que se interrompeu e menstruação, ou para confirmar essa informação preliminar. Neste período o esqueleto ósseo está em formação e pode ser visualizado por meio de raio X. O corpo do feto vai-se cobrindo de uma capa protetora cascosa.

QUINTO MÊS DE DESENVOLVIMENTO

O feto de cinco meses é uma criatura de pele enrugada, medindo cera de 30 cm de comprimento e pesando mais ou menos 450 gramas.
Depois que todos os órgãos internos já foram arquitetados, a pele e seus derivados se apressam por chegar à forma final.
Os derivados da pele, como cabelos, cobrem todo o crânio e seu corpo está coberto com um pólo macio denominado lamigo ou lanugem. Aparecem as unhas dos dedos e dos artelhos. A principio a unha é recoberta por uma camada compacta de células lulas semelhante à cutícula da unha madura. Esse revestimento é geralmente provisório, caindo antes do nascimento, embora às vezes possa ser visto em recém-nascidos. Ë igualmente por essa época que se mostra o revestimento de esmalte e a dentina nos gérmens dentários dos dentes-de-leite.
O coração e os pulmões jazem na região do futuro pescoço; o fígado, estômago e mesonefros ficam no futuro peito, e o cordão umbilical fica ao nível do futuro diafragma. O abdome e a pelve são tão reduzidos que praticamente não existem. Depois, à medida que a parede abdominal se desenvolve, os órgãos, conservando suas relações recíprocas, vêm gradualmente a se colocarem em níveis ceda vez mais baixos em relação ás costas.
Sucede assim, que o coração acha-se na porção superior do peito; ao nascer acha-se no meio deste. O fígado e o estômago descem do peito para o abdome que vai crescendo durante os quatro últimos meses de vida fetal.
Esse deslocamento é gradual para baixo na posição dos órgãos, chamado a descida das vísceras.
O aparelho digestivo e a bile são lançados no intestino, onde se processa uma digestão rudimentar de células, de lanugem e outros resíduos que o feto deglute com o líquido amniótico. O pequeno volume de material sólido, juntamente com os sucos digestivos e a bile, assumem cor esverdeada, característica da bile oxidada, e vai sendo depositado no tubo intestinal. Na ocasião do nascimento, este material denominado mecônio, terá alcançado volume suficiente para fechar os segmentos inferiores do intestino da criança. O mecônio representa as primeiras fezes do recém-nascido
O coração que bate de 120 a 160 vezes por minuto, pode ser ouvido com um estetoscópio. O feto de cinco meses já elimina algumas de suas células e as substitui por novas, processo que continuará durante toda vida. Entretanto, ainda não consegue sobreviver fora do útero materno. Neste período a placenta cobre cerca de 50% do útero.

SEXTO MÊS DE DESENVOlVIMENTO

Durante o sexto mês, as pálpebras, que desde o terceiro mês, se haviam colado, reabrem-se, descobrindo uns olhos inteiramente formados que, no mês seguinte, adquirirão sensibilidade específica à luz. Assim acabado, o olho humano acha-se pronto para desempenhar seu papel capital na percepção do mundo exterior. Geralmente quando os olhos se abrem pela primeira vez, no sexto mês, existe uma membrana opaca e delgada, chamada membrana pupilar, estendida sobre a pupila ocular. Normalmente essa membrana desaparece no decorrer do sétimo mês, embora ás vezes persista até ao nascer. A íris não adquire sua pigmentação completa, sendo que os recém-nascidos têm a íris azul-cinzenta, qualquer que venha a ser a cor de seus olhos no futuro. Os cílios e as sobrancelhas surgem em geral neste período.
Os lábios exibem uma delimitação bem nítida. Os pulmões do feto de seis meses já são suficientemente desenvolvidos para poderem respirar poucas horas, caso venha nascer prematuramente.
Neste período o peso do feto chega a alcançar um quilo. As glândulas sebáceas da pele começam a secretar um exsudado denso e untuoso denominado por verniz caseoso, que permanece aderido à pele. O verniz caseoso protegerá a pele delicada do feto durante o trauma do trabalho de parto e contribuirá para evitar possíveis lesões.

SÉTIMO MÊS DE DESENVOL VIMENTO

No feto de sete meses, seu sistema nervoso parece estar bastante desenvolvido para poder satisfazer suas necessidades de vida independente, embora ainda longe de estar acabado, durante os restantes dois meses de vida fetal e nos primeiros meses de vida pós-natal vias nervosas e muitas novas cadeias de nervos relacionados têm que se formar para que possa considerar maduro o complexo e intrincado mecanismo que é o cérebro humano.
Ao 7° mês, é possível registrar ondas cerebrais através do abdome da mãe, provindas do córtex cerebral do feto. Pesquisas recentes indicam que o consumo de proteínas pela mãe durante esse período é de extrema importância para assegurar pleno desenvolvimento do sistema nervoso da criança e, assim, assegurar também suas potencialidades totais em termos de inteligência.
No indivíduo masculino o sétimo mês  assinala o começo de um acontecimento importante, que vem a ser a descida dos testículos para as bolsas escrotais.
Ao fim do sétimo mês de gestação o feto pode medir uns 40 centímetros de comprimento e pesar cerca de 1.700 gramas. A meada de gordura subcutânea ainda é muito fina, o que dá certa transparência à pele, que se apresenta rugosa. Neste período o feto é considerado viável, porque todos os aparelhos estão suficientemente desenvolvidos para garantir uma sobrevivência precária. Os sistemas de regulação ainda não garantem controle eficaz do metabolismo, isto é, os processos de trocas celulares, síntese de proteínas, assimilação de hidratos de carbono e outros processos bioquímicos. No entanto, esta debilidade do prematuro é atualmente compensada, pela disponibilidade de recursos físicos e terapêuticos e pelas técnicas de assistência posterior ao parto. O desenvolvimento da puericultura (nos casos de prematuros a cargo dos berçaristas) contribui para aumentar as chances de sobrevivência das crianças nascidas após sete meses de gestação.
Nas últimas oito semanas de gestação, o ganho de peso do feto é muito rápido, de 200 a 250 gramas, per semana. As gorduras subcutâneas se depositam em camadas mais espessas e atenuam a cor vermelha da pele, além de torná-la mais suave. Os membros se tornam gradualmente mais cheios e firmes.

OITAVO MÊS DE DESENVOLVIMENTO

Os membros se tornam gradualmente mais cheios e firmes. Com oito meses, o feto mede uns 45 cm e pesa cerca de 2,5 Kg. As condições de sobrevivência são melhores do que as do sétimo mês, apesar da superstição, cientificamente infundada, que atribui chances menores de sobrevivência ao prematuro de oito meses. Devemos ressaltar também que neste período a fisiologia do feto se torna cada vez mais semelhante à do adulto. Por esta razão, os agentes que afetam a fisiologia da mãe passam a ameaçar a do feto. Um exemplo disto são as crianças que nascem com o vício da maconha, heroína e outras drogas.

NONO MÊS DEDESENVOLVIMENTO

 Pronto para vir ao mundo, com todos os seus órgãos constituídos e prontos para entrar em funcionamento, o tenro ser humano passa pelos últimos toques de sua anatomia para uma vida independente assim que nascer.
Nestes dois meses, ele lucra mais ou menos um quilo no peso e 5 centímetros na estatura. As rugas e a flacidez da pele somem com o recheio de gordura que se opera rapidamente. Arredondam-se os contornos do corpo, principalmente nos braços e pernas. A própria íris dos olhos está sujeita a essa acentuação ulterior do pigmento. O corpo acha-se em parte recoberto ainda pelo induto de matéria sebácea que tem o nome de verniz caseosa; as unhas crescem bastante e é freqüente ultrapassarem, por ocasião do nascimento, as pontas dos dedos e dos artelhos.
As gengivas passam a exibir uma aparência de rugas e sulcos. As papilas gustativas, que durante os sete meses, são muito numerosas e mais amplamente distribuídas no interior da boca e na garganta do que sucede no adulto normal, sofrem agora uma regressão ou degeneração parcial, de maneira que o feto a termo tem menos papilas gustativas do que o prematuro de sete meses.
As glândulas mamárias atingem seu pleno desenvolvimento fetal durante esse período e os canais que drenam a glândula para a superfície do mamilo, se completam e abrem a sua luz. No intestino, uma massa verde e escura, viscosa de secreções acumuladas do fígado, do pâncreas e das glândulas digestivas, foi propelida lentamente por contrações ondulantes e lentas do intestino delgado para o grosso intestino, onde ao nascer, se acha prestes a evacuar.
Uma vez quase completados os nove meses de vida intra-uterina, e já não tardando que o feto seja expulso do útero, interessa observarmos a posição, as condições do feto e os seus envólucros. O feto dentro do útero pode ocupar qualquer posição possível; na maioria das vezes fica de cabeça para baixo, nádegas para o alto, o dorso paralelo ao dorso materno, e com as pernas e braços dobrados diante e junto ao peito. O cordão umbilical, que tem aproximadamente comprimento igual ao do próprio feto (50 centímetros), descreve um trajeto tortuoso e volteante do umbigo do feto até a placenta, que se acha aderida à parede uterina. A placenta é discóide e espessa de tecido esponjoso, pesando 450 g, em cujo interior os vasos maternos e fetais entram em contato. Ao mencionar a placenta e o cordão umbilical abordamos o último aspecto da anatomia fetal e de sua fisiologia, que nos merecerá maior atenção, e que vem a ter particular importância durante o nascimento; queremos nos refará à circulação do sangue do feto através dele próprio, do cordão e da placenta. Nos dias que correm, não se ignora que o sangue humano circula ininterruptamente através do corpo, em um sistema fechado de vasos, impulsionado pelos batimentos do coração. O sangue passa do coração às artérias e delas aos pequenos capilares, onde o seu precioso conteúdo é aproveitado em parte para o consumo celular, depois se coleta pouco a pouco para voltar ao coração, por meio das veias. Além disso, um sistema especial de artérias e veias leva o sangue do coração aos pulmões onde ele absorve oxigênio, e torna ao coração entre duas voltas pela circulação geral.
Ora, no feto, há duas circunstâncias especiais que modificam esse tipo de circulação - primeiro, a inatividade dos pulmões e, segundo a grande atividade da placenta como única fonte de alimentos e de oxigênio para o feto.
É forçoso, portanto, que o sangue durante o seu trânsito pelo corpo, seja levado através das grossas artérias umbilicais e pelo cordão umbilical até a placenta. Aí depois de ter-se carregado de alimentos e oxigênio, volta ao feto por uma calibrosa veia que também percorre o cordão umbilical. Em seguida passando pelo fígado vai ter ao coração, para recomeçar novo círculo através do corpo. Deveria, normalmente passar pelos pulmões primeiro, mas como estes não se acham em funcionamento essa volta inútil é suprimida temporariamente por um desvio, um vaso especial chamado "canal arterial", que leva o sangue destinado ao pulmão, diretamente à circulação destinada ao corpo (circulação geral). É claro que ao nascer, assim que a criança respira efetivamente e que a placenta se desprega do útero, algo tem que se suceder no concernente a essas duas particularidades da circulação fetal.
Já se notam, com o prenunciar do nascimento que se aproxima - aliás um sinal da necessidade de nascimento - certas modificações no aspecto da placenta. Parece que ela envelhece; surgem manchas de degeneração celular em sua superfície; são ilhotas de tecido duro, fibroso, de células em degeneração, que tornam certas áreas da placenta inaptas para funcionar; em outros pontos pode apresentar coágulos sangüíneos, maciços, que interrompem nesses pontos a passagem do sangue materno.
Esses fenômenos indicam que a placenta acerca do fim de sua capacidade funcional e, uma vez cessada essa função é mister que o feto assuma o encargo de garantir e proteger por si próprio seus tecidos e órgãos.
Nos últimos dois meses de gravidez, o comprimento do feto supera o do útero, o que justifica a característica posição de Buda: cabeça inclinada sobre o tórax, braços cruzados diante do tronco e pernas dobradas e cruzadas. O feto naturalmente tende a assumir tal postava antes mesmo da necessidade de acomodação. Na maior parte dos casos, a cabeça está voltada para baixo, em correspondência com a entrada da bacia, enquanto as pernas e nádegas se adaptam ao fundo do útero, o que explica o fato de os movimentos fetais, mais vigorosos na flexão das pernas agirem sentidos pela mãe na parte alta do abdome.
Durante o último mês de vida uterina, a criança geralmente adquire anticorpos da mãe, que defendem o corpo da criança contra o ataque de alguns microrganismos. Tal imunidade é somente temporária, pois estes anticorpos permanecem no sangue da criança até o 2° mês de vida pós-natal e devem ser substituídos por anticorpos sintetizados pelo próprio sistema imune da criança. Também no último mês, a velocidade de crescimento diminui, se continuasse com o mesmo ritmo no seu primeiro aniversário a criança, pesaria 100 quilos.

NASCIMENTO

A data do nascimento é calculada para 266 dias depois da concepção ou 280 dias após o início do último período menstrual regular. O parto é dividido em três etapas: dilatação, expulsão e estádios placentários.
A dilatação dura de 2 a 16 horas, sendo mais longa no primeiro parto que nos anteriores, começa com as primeiras contrações do útero e termina com a plena dilatação ou abertura do cérvix uterino. No início deste período as contrações uterinas ocorrem em intervalos de cerca de l5 a 20 minutos e são relativamente suaves; gradativamente as contrações tornam-se mais fortes e ocorrem em intervalos de 1 a 2 minutos. A essa altura, o colo uterino está dilatado para cerca de 10 centímetros de diâmetro, sendo que geralmente nesta fase é que ocorre o rompimento do saco amniótico, com eliminação do líquido amniótico.
O segundo período, a expulsão, dura de 2 a 60 minutos. Começa com a plena dilatação do colo uterino e o aparecimento da cabeça da criança (coroamento). As contrações duram de 50 a 90 segundos e repetem-se em intervalos de 1 a 2 minutos.
O terceiro período é o placentário que começa após o nascimento. Implica em contrações do útero e a expulsão pela vagina, de fluído, sangue e finalmente da placenta, que está ligada ao cordão umbilical. Contrações uterina menos intensas continuam, elas permitem parar a hemorragia e fazer com que o útero volte á condição e tamanho anteriores à gravidez.
A dilatação do colo do útero e a distensão da cúpula da vagina determinam a sensação dolorosa das contrações do parto. As contrações da expulsão da placenta são indolores porque não repercutem sobre o colo do útero nem sobre a vagina. A sensação de dor, naturalmente, varia conforme a sensibilidade individual da mulher. Para algumas, as contrações do parto são toleráveis como as cólicas menstruais. Para outras é um tormento incomparável. Interferem aí fatores culturais e de preparo psicológico. A serenidade procurada no preparo psicoprofilático do parto eleva sensivelmente o limiar de sensibilidade, o que torna as dores suportáveis.
Devemos lembrar que o elemento essencial para o desencadeamento das contrações é a ocitocina, hormônio liberado pelo lobo posterior da hipófise. Durante a gravidez, a ocitocina não atua sobre o útero por motivos ainda controvertidos. Alguns pesquisadores acham que é porque a progesterona, secretada pela placenta, impede a contração uterina. O teor de actinomiosina (proteínas contráteis das fibras uterinas) é outro fator determinante do início do parto. Durante a gravidez, a quantidade destas duas proteínas aumenta gradualmente no útero. No final da gravidez, as fibras com maior teor destas duas proteínas, denominadas maduras, respondem á ação da ocitocina. Assim por feed back a ocitocina desencadeia as contrações, que, por sua vez, estimulam a liberação de mais ocitocina, num círculo vicioso crescente.




Formação de gêmeos

Os gêmeos podem ser dizigóticos ou fraternos, quando resultam da fertilização de dois óvulos por dois espermatozóides diferentes, podendo ser do mesmo sexo ou não- Geralmente apresentam dois âmnios e dois córios, mas os córios e as placentas podem estar fundidos.
Já os gêmeos monozigóticos, pelo fato de resultarem da fertilização de um óvulo, são do mesmo sexo, geneticamente idênticos e muito parecidos fisicamente. As diferenças físicas existentes entre eles são causadas por fatores puramente ambientais. Geralmente a gemelalidade monozigótica começa por volta da primeira semana de gravidez, quando o embrioblasto se divide em duas massas celulares distintas Posteriormente desenvolvem-se dois sacos coriônicos e amnióticos, mas a placenta é única para ambos e freqüentemente observa-se a junção de vasos placentários, mas estas anastomoses não afetam ambos os embriões, pois na maioria das vezes são bem equilibradas.
A incidência de gêmeos dizigóticos é comum numa mesma família o que mostra que existe algum significado hereditário neste processo; entretanto isto não é válido para os monozigóticos.


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