Prova de física da segunda fase da Unicamp foi difícil, afirmam professores

Professores ouvidos pelo UOL afirmaram que as provas desta segunda fase do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estavam difíceis –em especial, física.

Alexandre Lopes Moreno, professor do Etapa, ela foi a “mais difícil das provas de física da ultima leva” – contando Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular). “Erraram um pouco a mão na complexidade. Mas foi muito bem feita, com preocupação muito grande com a contextualização”, disse.

Para Ronaldo Fogo, do Objetivo, foi uma prova trabalhosa. “Os alunos devem ter sofrido um pouco nessa prova de física. As questões foram clássicas, mas com excesso de cálculos. Algumas questões tinham cálculos, e uns não muito triviais. Talvez não tenha dado tempo.”

Já Zé Roberto Braz Paião, do Cursinho da Poli, acredita que o teste teve nível médio. “Tem questões mais simples, mas tem questões que, apesar de não serem difíceis demandam um tempo de resolução maior.”

De acordo com Luís Ricardo Arruda, do Anglo, as três provas –física, química e biologia– estavam difíceis. “Mas esse ‘difícil’ não pode ser considerada uma crítica. “São alunos que passaram pela primeira fase, um filtro”, disse. Ele criticou o item ‘b’ da questão 2 de física. “Ela imagina uma situação que não acontece na prática.”

Os candidatos ouvidos pela reportagem também elegeram a disciplina de física como a mais difícil do dia. Para a vestibulanda Patricia Yuri, 18, que deseja cursar gestão de empresas, “as questões de física estavam mais difíceis que as de matemática”.

O treineiro do curso de gestão de empresas Bruno Muniz, 16, revelou que deixou de responder três questões da disciplina. “Física foi bem complicada, exigia muita decoreba de fórmulas”.

Veja os comentários sobre as todas as outras provas do vestibular da Unicamp, inclusive as da primeira fase:

SEGUNDA FASE


Química

Objetivo, Alessandro Neri: “As questões foram bem elaboradas. Exigia do aluno uma concentração muito boa, porque era interpretativas. Nível médio para difícil. O aluno deve ter gasto muito tempo para ler o enunciado. Foi bem distribuída.”

Etapa, Edison de Barros Camargo: “Completamente contextualizada e parcialmente interdisciplinar. Seguindo a última tendência, exigiu conceitos centrais e muito importantes da química. Mais foi de uma tal maneira que a prova se tornou complicada e difícil. Nada de decoreba, nada de coisas periféricas.”

Cursinho da Poli, Rubens Faria: “Gostei da prova, bastante contextualizada. Trouxe questões notórias desse ultimo ano, como o metano no subsolo da capital de São Paulo. Todas as questões tinham um contexto interessante relacionado à química.”

Biologia

Objetivo, Constantino Carnelos: “Uma prova muito bem feita, bonita, bem elaborada. Mas, ficou faltando botânica, com predomínio de questões de biologia animal. Nível de médio para difícil. Uma prova que realmente vai ajudar a selecionar os melhores candidatos.”

Etapa, Roberto Biasoli: “A prova de biologia teve média complexidade. Ela exigiu do candidato uma leitura atenta dos enunciados, uma boa capacidade de redação para colocar no espaço definido pela banca e bom conhecimento. Houve um predomínio de zoofisiologia e de biologia celular. Foi trabalhosa.”

Cursinho da Poli, Eduardo Leão:Achamos uma boa prova, de um nível de intermediário para difícil, que teve uma ligeira predominância dos temas de citologia, em detrimento da botânica.”

Geografia

Objetivo, Vera Lúcia Antunes: "A Unicamp seguiu o gênero dela [em geografia], com um texto inicial [que dá pistas da resposta] e sempre exigindo o domínio dos conceitos. Não dava para o aluno dizer que nunca tinha visto aquilo.”

Etapa ,Omar Fadil Bumirgh: A Unicamp seguiu seu padrão. "As questões traziam dois itens: um bem simples e no outro, [trazia uma] pergunta mais complexa que exigia uma resposta mais elaborada". Por causa desse equilíbrio, o nível da prova foi mediano na opinião dele.

Cursinho da Poli, André Guibur: "[A prova] Não apresentou nada fora do normal, cobrou temas bastante vistos e estudados [ensino médio]". Exemplos disso: desertificação, queimadas, questões ambientais, bacia hidrográfica.

História

Objetivo, Daily de Matos Oliveira: "Não houve nenhuma questão sobre antiguidade". E, na opinião dele, as perguntas eram claras, mas nem por isso eram fáceis: "exigiam bastante conhecimento dos candidatos".

Etapa, Antònio Carlos da Costa Ramos: As questões de história seguiram a mesma toada que as de geografia. "Foi uma prova trabalhosa", opinou, afirmando que considerou as questões "inteligentes" e que procurou ter uma boa "distribuição de temas".

Cursinho da Poli , Elias Feitosa de Amorim Júnior: Não havia "nada que dificultasse a vida do candidato".

Anglo, Luís Ricardo Arruda: "Dificuldade média, sem restrições".

Inglês

Cursinho da Poli , Lúcia Helena Martins de Souza: Para ela, a prova da Unicamp foi "criativa" por causa da mistura de gêneros textuais -- havia um post, ilustração e trechos de matéria. Os textos traziam linguagem mais próxima ao cotidiano, mas as respostas pediam interpretação do texto e certo "conhecimento de mundo", segundo a professora.

Etapa, Alahkin de Barros Filho: Para ele, o aluno acostumado a ler em inglês se deu bem. "Para poder responder, ele [o candidato] tinha que ter certa cultura e vocabulário", afirmou. O nível da avaliação era "médio", mas a prova, ainda segundo Barros Filho, é o "tipo de exame que consegue separar bem quem tem domínio da língua inglesa".

Português e matemática

Para Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante de Campinas (SP), as provas "se tornaram difíceis em função do pouco tempo para resolver as questões". Segundo ele, “as provas ficam trabalhosas e favorecem os candidatos mais experientes, que sabem administrar melhor o tempo”.

O professor de português do Curso Anglo, Eduardo Calbucci, concorda com o colega: “os enunciados estavam longos e o tempo para resposta foi insuficiente”. Para Calbucci, a prova apresentou conteúdo adequado, exigente e dentro do previsto, embora longo. .

“Português e literatura deveriam ser realizadas sozinhas num único dia”, afirmou a professora de português do Curso Etapa, Celia Passioni. "As respostas são complexas e o tempo é inviável. Não é uma prova para ser resolvida em quatro horas."

De acordo com o professor Alexandre Borges, a prova de matemática também foi exigente e longa. “O candidato que não administrou o tempo corretamente teve dificuldade pra responder todas as questões”. Gregório Krikorian, do Curso Objetivo, engrossa o coro: “a prova foi feita para o aluno que realmente estudou e está bem preparado, porém o espaço para resolução do exercício não é suficiente. Isso prejudica a qualidade do exame”.

PRIMEIRA FASE


Segundo Vera Lúcia, do Objetivo, a grande dificuldade encontrada na prova de hoje foi a extensão dos textos das questões, que exigiam maior atenção dos candidatos em relação à interpretação dos textos. “Apesar disso, a prova teve um excelente nível, foi bem elaborada e bem feita”, acrescenta.

A coordenadora explica que, para os professores do Objetivo, as disciplinas com maior nível de dificuldade foram as de biologia, matemática e química. Geografia, por sua vez, teve um nível mediano. Já história e física apresentaram conteúdos mais clássicos e comuns aos candidatos de ensino médio.

Para Luís Ricardo Arruda, coordenador do Anglo, a Unicamp acertou em relação ao nível de dificuldade da prova. “É uma prova de primeira fase então tem que ter um nível médio suficiente para peneirar os candidatos para a próxima fase. E nesse aspecto, ela cumpriu o objetivo.”

Mesmo elogiando o grau de dificuldade do exame, os coordenadores do Anglo e do Etapa identificaram problemas em duas questões. De acordo com Arruda, a questão 43 da prova Q e Z registrou incoerência em suas alternativas. “O enunciado está ok, mas nenhuma alternativa responde ao que o enunciado pede. Por isso, a classificamos como sem resposta”, explica.

Já Marcelo Dias Carvalho, coordenador do Etapa, afirma que houve uma imprecisão do conceito na questão 47 de geografia da prova Q e Z. “O que está exposto em cada alternativa, não remete ao conceito correto”, destaca.

Em relação a redação, os profissionais ouvidos pelo UOL Vestibular acreditam que ela também tenha apresentado um nível de dificuldade médio.

A coordenadora Vera Lúcia destaca que apesar da exigência, a Unicamp deu aos candidatos todos os elementos necessários para que eles pudessem desenvolver os três temas propostos.

Aurélio de Lima, professor de redação do Etapa, acrescenta que os temas estavam relacionados ao cotidiano dos candidatos, porém as respostas não deveriam ser triviais. “Houve uma objetividade nos comandos dos enunciados, no entanto talvez no primeiro texto o candidato poderia pensar que por ser um comentário escrito, ele poderia levar o texto para a informalidade. Talvez esse tenha sido o único ponto de atenção”, diz.



Fonte: UOL

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