Anelídeos



Muito comuns nas hortas e terrenos úmidos, as minhocas estão entre os mais conhecidos anelídeos. O húmus, camada fértil do solo, é em grande parte produto da ação das minhocas, por isso chamadas de "arados da natureza".
Os anelídeos constituem um filo do reino animal que compreende os vermes mais evoluídos. Seu nome deriva do fato de ter o corpo dividido em segmentos ou "anéis", peculiaridade que o aproxima dos artrópodes, também segmentados. As semelhanças entre anelídeos e artrópodes levaram alguns autores a reunir os dois grupos em um único filo, o dos articulados.
Acredita-se que os anelídeos primitivos tinham o corpo constituído de segmentos iguais, com os mesmos órgãos. De fato, mesmo nos anelídeos atuais, todos os segmentos são atravessados pelo tubo digestivo e pelos vasos sangüíneos longitudinais. Apresentam um par de nefrídios, uma ampla cavidade celomática e um par de gânglios nervosos unidos aos dos outros segmentos por nervos longitudinais. Entretanto, a segmentação nunca é totalmente homogênea, pela tendência de alguns órgãos a se concentrarem em certos segmentos. Assim, os órgãos reprodutivos ficam geralmente confinados à região mediana do corpo, e os sensoriais, à região anterior (cefálica).

CLASSIFICAÇÃO

Na maioria dos anelídeos, a superfície do corpo apresenta cerdas, o que serve de base para a divisão do filo em três classes: poliquetos, oligoquetos e aquetos.
Poliquetos. Com grandes tufos de cerdas (parápodes) implantadas em expansões laterais do corpo, os poliquetos são, em geral, marinhos, mas existem alguns de água doce. Muitas espécies são planctônicas, ou seja, vivem flutuando passivamente; outras arrastam-se por entre as rochas do fundo; e outras ainda vivem dentro de tubos por elas mesmas construídos. Seu tamanho varia de milímetros até um ou dois metros, como certos representantes da ordem dos eunicídeos, conhecidos como "minhocão dourado" ou "dourada", pelo aspecto iridescente do corpo.
Oligoquetos. Apresentando em cada segmento uma fileira circular de cerdas curtas, muitas vezes incompleta, os oligoquetos compreendem os anelídeos vulgarmente chamados de minhocas, cujo tamanho também varia de milímetros até cerca de dois metros, como nos minhocuçus (família dos megascolecídeos) das florestas brasileiras. Segundo Charles Darwin, as minhocas, em condições favoráveis, podem trazer para a superfície cerca de nove toneladas de solo por hectare em um ano, contribuindo assim para a mistura da matéria orgânica e mineral. A maioria dos oligoquetos é terrestre, de regiões úmidas e hábitos subterrâneos; um número razoável de espécies vive na água doce; raras são marinhas.
Aquetos. Mais freqüentemente denominados hirudíneos e, vulgarmente, sanguessugas, os aquetos não apresentam cerdas e sua segmentação é menos nítida. São predadores ou parasitas, vivem principalmente à custa do sangue de seus hospedeiros, que sugam com uma ventosa instalada ao redor da boca.
Outros grupos. Além dessas três grandes classes, existem dois pequenos grupos: os arquianelídeos, de certo modo relacionados com os poliquetos, e os misostomídeos, possivelmente aparentados com os hirudíneos.
Morfologia. O aspecto exterior dos anelídeos varia bastante, conforme a classe, desde a aparência lisa e homogênea das minhocas e sanguessugas, até os exuberantes penachos e cabeleiras formados pelas brânquias e órgãos coletores de alimentos de certos poliquetos tubícolas. No primeiro segmento encontra-se a boca e no último o ânus. Essas aberturas delimitam o trajeto do tubo digestivo.
O aparelho digestivo apresenta morfologia variada, conforme os hábitos alimentares. O aparelho circulatório é basicamente formado por um vaso longitudinal dorsal, sobre o tubo digestivo, e por dois vasos longitudinais ventrais, um deles situado sob o tubo digestivo e outro sob o cordão nervoso. A respiração ocorre, em alguns, em redes capilares nas paredes do corpo (minhocas); em outros, através de contrações musculares, e a troca gasosa ocorre nas paredes do intestino terminal. O aparelho excretor é formado por uma série de tubos, com uma extremidade aberta para o exterior e a outra, para o celoma.
O padrão do sistema nervoso é o mesmo em todos os anelídeos e os órgãos dos sentidos refletem o tipo de vida que leva o animal: são mais desenvolvidos em alguns (sanguessugas e poliquetos) e menos em outros, como as minhocas, que têm vida subterrânea. Os poliquetos, na maioria dos casos, têm sexos separados, enquanto os demais anelídeos são hermafroditas. Salvo raríssimas exceções, a fecundação dos poliquetos é externa. Os gametas são descarregados na água, onde ocorre a fecundação. Nos anelídeos hermafroditas, ocorre a cópula e troca de espermatozóides entre os parceiros. A fecundação, todavia, se dá posteriormente, quando os espermatozóides recebidos pelo animal e armazenados em receptáculos seminais fecundam seus óvulos.

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