A ocupação do território por tratados e desmandos

A interdisciplinaridade dá a tônica do roteiro de estudos desta semana. Em Geografia, o estudante precisará dos conhecimentos de História para estudar a formação do território brasileiro. O Tratado de Tordesilhas e o desrespeito a ele, como as incursões dos bandeirantes paulistas em terras pertencentes então à Espanha, são os primeiros pontos desta convergência de disciplinas, aponta o professor André Luís Guibur, do Cursinho da Poli.

“Em relação à organização socioespacial, o fator histórico remete às capitanias hereditárias, que fazem parte da primeira forma de organização político-territorial do País”, comenta o professor. As capitanias hereditárias já possuem o caráter de privilégio, que vai caracterizar a história do Brasil.

No século XVII, a economia começa a se diversificar um pouco para além do cultivo da cana, contribuindo para a ocupação do interior do território nacional. “A pecuária, a exploração do ouro e as drogas do sertão são as atividades importantes neste processo”, explica Guibur.

A definição das fronteiras nacionais conta com fatores como a consolidação das atividades econômicas interioranas, que formam povoamento brasileiro/português. No século XIX e XX, as fronteiras se estabelecem pela ação diplomática do Brasil com os países vizinhos.

“Observe que ao longo do processo de ocupação, a formação da sociedade brasileira foi marcada pelo privilégio das elites, o apadrinhamento, a relação da economia com o poder. O latifúndio dá a tônica, independente da atividade”, comenta o professor.

Nas questões, mapas históricos relacionando as atividades econômicas podem ser objeto de interpretação. Assuntos atuais como a reforma agrária, a luta do sem-terra e a produção de cana-de-açúcar para o álcool combustível podem ser mencionados.

Toada

Aproveitando o olhar para o interior do Brasil com a perspectiva territorial, passamos à Literatura, com Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Segundo o professor José Luiz Amzalak, do CPV Vestibulares, trata-se de uma obra marcante da literatura brasileira, que traz o retrato da miséria, da região rural do Nordeste e da luta contra a seca. “Temos o herói (Fabiano) contra o meio, que tenta expulsá-lo de lá. E a análise psicológica, em que Fabiano se sente como bicho, além da humanização dos animais, na figura de Baleia”, afirma.

O professor recomenda que os alunos revisem os aspectos estéticos da obra, como a linguagem concisa, “seca”, utilizada pelo autor, a classificação da obra como romance cíclico, seu aspecto desmontável, em que todos os capítulos possuem início, meio e fim.

“É extremamente importante ler o livro. Não use resumo, estes servem para complementar os estudos”, reforça Amzalak. Na leitura da obra, além do conhecimento do regionalismo, é possível exercitar a identificação de elementos da narração, conteúdo de Português desta semana. Procure enfatizar os aspectos de sequenciação de eventos, temporalidade e causalidade. Não esqueça do papel do narrador.

O que entra no cardápio

O quanto você come de carboidratos, proteínas e lipídios em suas refeições diárias? A pergunta, que também é respondida em reportagens e sites de nutrição e boa forma, remete a um dos temas preferidos nas provas de Biologia da Vunesp, dentro da temática saúde. A dica é do professor Edson Futema, do Cursinho da Poli.

A amplitude de assuntos de saúde leva cada vestibular a dar diferentes prioridades. Segundo Futema, a Unicamp pode perguntar sobre produção de anticorpos e imunização, tanto ativa quanto passiva. Na Fuvest, a tendência recai sobre os sistemas do corpo humano. “No digestório, o fígado e o pâncreas; no respiratório, as trocas gasosas no pulmão. Além das glândulas de produção de hormônios e a filtração de compostos nos rins”.

Os efeitos do consumo de drogas, principalmente álcool e cigarro, além de epidemias e pandemias, no Brasil e no mundo (dengue, HIV), também são pontos de interesse.

Eletrizante

Em Física, temos um assunto um tanto extenso, mas que você consegue dar conta, pela simplicidade de alguns exercícios e baixa incidência nos vestibulares de algumas partes. Os grandes vestibulares priorizam questões clássicas de eletrostática, envolvendo o essencial do assunto, segundo o professor Bassam Ferdinian, do Cursinho da Poli.

“Quando cai algo sobre campo elétrico, a pergunta trabalha mais o caráter vetorial”, afirma.

Questões sobre interação entre cargas, força e energia potencial elétrica, têm menor incidência. “O aluno precisa de um preparo básico, vai usar menos cálculo e mais raciocínio. Para saber o que vai acontecer se diminuir o valor da carga, por exemplo.”

Apesar de exercícios simples, eletrostática é um assunto em que os estudantes costumam apresentar erros. “A dificuldade está no despreparo. Estatisticamente, os alunos tendem a não se aprofundar neste tema. O problema é que muitos têm aversão a este capítulo da física, por ser extremamente abstrato”, explica o professor. Está dada a dica para você aumentar sua porcentagem de acertos no vestibular.

Pelo mais simples

A busca pela simplificação é o caminho sugerido para a resolução de questões de geometria analítica, em Matemática, referente a posições relativas de retas e planos no espaço. Paralelismo e perpendicularismo são tópicos desta parte da matéria.

“É comum a questão pedir a posição relativa entre duas retas ou entre uma reta e uma circunferência”, comenta o professor Eduardo Isidoro, do Cursinho da Poli. “Tenha em mente que fazer uma figura bem feita, com preocupação com a escala, pode levar a resolver o problema com recursos da geometria plana, sem usar as equações da geometria analítica”, recomenda.

O professor dá a dica para que, se o assunto for paralelismo, o estudante deve lembrar-se de ângulos alternos internos, que vão ter sempre a mesma medida.

O professor destaca regras: em geometria analítica, duas retas são paralelas quando possuem o mesmo coeficiente angular; No caso das perpendiculares, o coeficiente angular de uma reta será o inverso do oposto do outro. E com isso, o produto entre os dois coeficientes é -1.

Tempos nebulosos

Como já retomamos muitos referenciais históricos na primeira parte deste roteiro, deixamos a disciplina propriamente dita para o final. Em História Geral, o conteúdo não é nada leve: a Segunda Guerra Mundial.

“É um assunto que aparece com certa frequência nos vestibulares. As perguntas trazem fragmentos de textos, mapas mostrando o avanço de algum país em determinado momento, além de fotografias de combates, exigindo a interpretação do aluno”, comenta o professor Fernando Rodrigues, do Cursinho da Poli.

As causas da guerra, dentre elas as consequências do Tratado de Versailles – humilhação da Alemanha e o decorrente sentimento de revanche – estão entre os pontos de importantes de estudar para o vestibular. O professor Rodrigues elenca outros tópicos que podem aparecer nas questões: as alianças militares – Aliados e Eixo – e os países que as compunham, o ataque a Pearl Harbor, que levou os EUA a entrarem no conflito, o suicídio de Hitler e o avanço das tropas aliadas sobre a Alemanha, além das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

“Também é importante estudar a participação do Brasil na guerra, com o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB)”, destaca o professor.

A expedição brasileira no confronto rendeu ao Brasil uma compensação financeira, por parte dos EUA, que possibilitou a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, no governo de Getúlio Vargas.

Com esta relação direta entre as disciplinas, passamos à História do Brasil, cujo conteúdo é a Era Vargas, desde os governos provisório e constitucional, o Estado Novo, até o governo democrático.

Trata-se de um período de nossa história que sempre aparece nos grandes vestibulares. “Do governo provisório, é importante estudar o início das leis trabalhistas, considerando que concederam direitos, como aposentadoria, jornada, férias, mas impuseram limitações, como a proibição das greves e os sindicatos deixaram de ser autônomos”, comenta o professor Fernando Rodrigues. A revolução de 1932 é outro ponto importante.

Quanto ao governo constitucional, o professor aponta a Constituição de 1934, que pela primeira vez permitiu o voto feminino, a nacionalização dos recursos hídricos e minerais, além do debate ideológico, protagonizado por ANL e AIP.

“No Estado Novo, podemos destacar a Polaca, que foi a constituição autoritária, a expansão da burocracia estatal, onde temos o fortalecimento do aparato repressivo como o Dops, a CLT e a participação do Brasil na Segunda Guerra”.

Fôlego

Para encerrar esta semana, diminuímos o ritmo na parte de Química. As funções orgânicas nitrogenadas, haleto de alquila, cloreto de ácido e anidrido de ácido têm menores chances de cair nas provas.

De acordo com o professor Hamilton Bigatão, do Cursinho da Poli, dentre os compostos nitrogenados, as funções amina e amida, constituintes das proteínas dos seres vivos, são mais abordadas que a função nitro, dos explosivos.

“O anidrido de ácido pode aparecer em reações de desidratação intermolecular. Mas os exercícios costumam dar uma dica de que está tratando do cloreto ou anidrido, diferente da função álcool, por exemplo, que o estudante precisa saber reconhecer”, explica o professor.



Fonte: UOL

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