MEC estuda processar "O Globo" e repórter por vazamento do tema da redação do Enem 2011

O MEC (Ministério da Educação) disse nesta segunda-feira (24) que estuda tomar medidas judiciais contra o jornal “O Globo” e o repórter Lauro Neto, que divulgaram o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011 antes do tempo mínimo permitido para a saída de salas de aula.

NOTA DO MEC/INEP

O INEP informa que o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) só foi tornado público após as 13 horas, ou seja, depois das provas terem sido distribuídas para os cerca de quatro milhões de estudantes que realizam o Enem nesse domingo (23). Não houve nenhuma quebra de sigilo. O tema passou a circular nas redes sociais e em alguns portais de conteúdo a partir das 13h59, sem qualquer interferência no sigilo e na realização da prova.

Assessoria de Comunicação Social MEC/Inep, às 17h20 do domingo

O repórter afirmou, em reportagem publicada hoje, que enviou o tema para a sede do jornal por mensagem de texto, durante a prova.

“Bateu vontade de ir ao banheiro. Como não havia nenhum fiscal por perto, decidi testar a segurança da prova e mandei um SMS para a equipe de reportagem do Globo com o tema da redação: "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado". Que ironia! Eu, em frente à privada, tornando pública uma informação através de comunicação em rede. Deu tempo até de mandar outro torpedo com os títulos e autores dos textos da coletânea”, contou o repórter na edição desta segunda-feira.

Segundo a editora do site de Educação e do Megazine, Valquíria Daher, com quem o UOL Educação conversou no domingo (23), o tema teria sido passado por um estudante. "Um aluno que estava dentro de um local de prova passou o tema", afirmou Daher. A jornalista contou que o estudante conseguiu se comunicar com a redação do jornal. Mas não quis explicar de que maneira, uma vez que os inscritos só podem sair da prova às 15h e não podem se comunicar com ninguém.

Às 16h50 do mesmo dia, Daher entrou em contato com a redação para "acrescentar" que o informante era um repórter "na condição" de candidato. O UOL tentou contato com o repórter, mas não teve sucesso.

Prova de 2010

Em 2010, um repórter do Jornal do Commércio, de Pernambuco, conseguiu fazer exatamente a mesma coisa: disse que iria ao banheiro e passou o tema, por telefone, para a redação.

Assim como em 2010, o MEC afirmou que o caso deste ano não configuraria uma falha de segurança pelo fato de o tema ter sido divulgado somente após o início das provas. No ano que vem, o ministério planeja divulgar o conteúdo da proposta de redação assim que os portões das salas de aplicação forem fechados.

Segurança

Apesar de o Ministério da Educação afirmar que o Enem tem uma equipe de fiscais cadastrados e previamente treinados, a realização do primeiro dia do exame contou com "voluntários" escolhidos sem critério, na porta do local do exame. Cerca de 30 pessoas foram selecionadas em uma repescagem em que o único critério foi apresentar o documento original de identificação. O repórter Paulo Saldaña, do jornal O Estado de S. Paulo, foi um dos que, com RG na mão, entrou na fila e garantiu uma vaga para a fiscalização. No local, havia 8 mil candidatos inscritos.

No primeiro dia, um fotógrafo contratado pelo UOL para fazer a cobertura do Enem 2011 em Fortaleza entrou em algumas salas de prova da Uece (Universidade Estadual do Ceará). O momento em que pediram para que ele se retirasse foi a chegada dos pacotes lacrados com a prova. Em instruções distribuídas pela assessoria de imprensa do MEC na sexta-feira, não seriam "autorizadas, por motivo de segurança, imagens internas dos locais de prova". Ainda alegando motivos de segurança, a assessoria de imprensa não divulgou os locais com maior número de inscritos para o UOL, como havia feito em anos anteriores.



Fonte: UOL

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