Como as plantas vão ganhando a terra

Chegamos à metade de nosso roteiro de estudos, em número de semanas, e ao mesmo tempo nos aproximamos dos vestibulares. Não há mais conteúdos fáceis e o negócio é seguir firme nos estudos.

A independência da água para o processo de reprodução será o fio condutor no estudo da evolução das plantas e suas adaptações ao ambiente terrestre, tema de Biologia desta semana. É com este referencial que entram as características gerais dos grupos menos complexos aos mais evoluídos: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas.

As primeiras plantas a conquistarem o ambiente terrestre foram as briófitas, mas nelas estão ausentes os vasos condutores de seiva. As primeiras a apresentarem vasos são as pteridófitas. A presença de sementes só ocorre em gimnospermas e angiospermas, resume o professor Edson Futema, do Cursinho da Poli. “O sucesso das angiospermas é a possibilidade de se reproduzirem sem a água, elas conquistaram o ambiente terrestre com sucesso, inclusive locais áridos como deserto e cerrado”, comenta.

No grupo das angiospermas, os vestibulares cobram também a organização morfológica básica, crescimento e desenvolvimento; nutrição e transporte, além da reprodução de tais plantas. Segundo o professor, gráficos e esquemas podem aparecer em perguntas sobre a condução da seiva bruta no movimento ascendente, que permite a elevação da água das raízes para o restante das angiospermas, ou sobre a condução da seiva elaborada, da folha até a raiz, pelo movimento descendente. “Isso ocorre por diferença na concentração de solução, a osmose [assunto já estudado em química]”, afirma o professor.

“A condução da seiva elaborada ocorre em canais mais periféricos. Danos à camada superficial de uma árvore podem matá-la”, explica o professor, aludindo a questões ambientais, que podem aparecer nos vestibulares e no Enem.

Natureza e o homem

Do estudo detalhista da botânica, passamos à visão mais ampla proporcionada pela Geografia. Neste roteiro, o enfoque será a análise global, sobre os grandes centros econômicos e sua organização territorial, além dos processos de industrialização e o desenvolvimento desigual dos países.

“Com relação à organização territorial, é comum as provas pedirem para os estudantes identificarem as áreas reconhecidamente mais importantes para a economia mundial”, afirma o professor André Luís Guibur, do Cursinho da Poli. Um exemplo seria uma imagem com as principais concentrações industriais – nordeste dos EUA, sudeste do Japão, áreas na Alemanha e França – pedindo para que o candidato apresente as principais atividades desenvolvidas ali. Ou perguntas sobre áreas agrícolas específicas, como planícies centrais dos EUA e França, muitas vezes relacionando condições naturais de solo e relevo.

Ainda sobre a identificação dos principais centros econômicos, os vestibulares estão passando a perguntar sobre os mercados emergentes, os chamados BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China. Vale a pena se informar como estes países se tornaram relevantes.

Relações entre o passado e o presente

e;dio é a tentativa brasileira de ter acesso à bacia do Rio da Prata e ao interior do território nacional, além do significado da região para Paraguai e Argentina.

Do Segundo Reinado, o prof. Elias destaca, na política interna, o parlamentarismo às avessas ocorrido no País. “O poder de D. Pedro II era proporcionalmente maior que o poder que a rainha Vitória tinha na Inglaterra, na mesma época, de onde o modelo de monarquia parlamentar foi importado”, comenta.

O Brasil torna-se referência econômica como exportador de café e a cafeicultura gera divisas para a expansão da urbanização. “Mas o País depende do cenário externo, está na periferia do capitalismo e há muita concentração de riquezas”, afirma o professor. Questões sobre o desenvolvimento ao longo dos anos, questão agrária e o escravismo podem relacionar o período estudado, em conexão com outras épocas e em perspectiva interdisciplinar.

Homem, natureza e energia

Do tópico de transformações químicas e energia elétrica, de Química, os temas mais exigidos pelos vestibulares são pilhas e eletrólise, segundo o professor Hamilton Bigatão, do Cursinho da Poli.

“Seguindo a tendência de contextualizar as perguntas e usar a interdisciplinaridade, as perguntas acabam sendo indiretas sobre o funcionamento das pilhas e a eletrólise”, afirma.

Segundo o professor, um dos dois temas sempre estará presente nos grandes vestibulares, em pelo menos uma das fases. “É importante conhecer os conceitos básicos, como o potencial padrão de redução. E os cálculos aparecem mais no tópico de eletrólise quantitativa”, explica.

Balanceando

Para intercalar um pouco a carga de disciplinas cheias de cálculos que virão a seguir, damos uma guinada brusca, estudando as orações subordinadas adverbiais, em Português.

“Os vestibulares mais importantes não nomeiam essas orações. O que tem sido pedido nas provas é o reconhecimento das circunstâncias em que tais orações oferecem ao contexto, dentro de um texto ou trecho apresentado”, comenta o professor Roberto Juliano, do Cursinho da Poli.

Voltamos ao campo das exatas, com a interpretação cinética da temperatura e escala absoluta de temperatura, em Física. Segundo o professor Bassam Ferdinian, do Cursinho da Poli, o tema costuma aparecer de forma indireta nos vestibulares, em questões envolvendo temperatura, tema iniciado na semana passada e que terá continuidade na próxima. Procure resolver exercícios para treinar a conversão de uma escala para outra.

Aproveitando o ritmo de treino e resolução de exercícios, continuamos com a disciplina de cálculos por excelência, Matemática. Seguimos no tema iniciado na última semana, agora com foco em semelhança de triângulos. “Geometria Plana é de longe o que mais cai nas provas de matemática dos principais vestibulares. Numa questão deste tipo, enxergar dois triângulos semelhantes dentro de uma figura é certeza de conseguir resolvê-la”, afirma a professora Rose Pellozo, do Colégio Equipe.

Cuidado com os erros costumeiros. “É comum o estudante se confundir com os lados proporcionais, quando os dois triângulos aparecem posicionados de maneira diferente. Para serem semelhantes, os ângulos devem ter a mesma medida, então identificar os ângulos, dando nomes iguais para ângulos iguais é essencial”, explica. “Dai basta relacionar os lados compreendidos entre os mesmos ângulos, nos dois triângulos”, completa.

Ler e interpretar

Atenção à leitura para dar conta das próximas disciplinas, baseadas nesta capacidade exigida por todos os grandes vestibulares e o Enem. Em Literatura, continuamos no Realismo brasileiro, já que a semana passada foi toda dedicada a Dom Casmurro, de Machado de Assis, pelo fato de estar na lista obrigatória da Fuvest e Unicamp.

Além do clássico, outros livros importantes do autor fazem parte dos programas, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Papéis avulsos, Histórias sem data, Esaú e Jacó e Memorial de Aires.

“Toda obra realista tem a questão de crítica social. Trata-se de uma arte engajada, que busca transformação da sociedade”, comenta a professora Cristiane Bastos, do Cursinho da Poli. Esta característica tem como pano de fundo a disseminação de ideias positivistas, o evolucionismo de Darwin e até o materialismo científico, do final do século XIX, segundo a professora.

Como Eça de Queiroz, representante do realismo em Portugal que faz a crítica a sua sociedade, encontramos no Brasil Machado de Assis e Raul Pompéia. “Machado, ao contrário de Eça, que era burguês, era um moreno em sociedade escravocrata, daí sua ironia na construção do discurso, mais elaborada”, afirma.

Em O Ateneu, Raul Pompéia apresenta os terrões da vida no internato, descrevendo a vida no colégio como uma microssociedade, que reflete o contexto mais amplo. “Os livros realistas, em geral, são ‘pesados’. O intuito era fazer a crítica de que a Revolução Francesa não deu o resultado esperado, ainda existia muita opressão, apesar da possibilidade de mobilidade social”.

E veio Napoleão

O que aconteceu na Europa posteriormente à Revolução Francesa – ascensão de Napoleão, o Congresso de Viena e a Restauração – compõe um tema de História Geral que não aparece diretamente nos vestibulares há alguns anos.

Mas observe que tem se intensificado a cobrança por história da América e que a independência de Paraguai e Venezuela (os países comemoram neste ano o bicentenário de suas independências) ocorreram justamente no período napoleônico, como consequência das disputas entre França e Inglaterra, que acabaram sobrando para Espanha e Portugal. Para o Brasil, o impacto veio com a mudança da Família Real portuguesa para a então Colônia, como já estudamos. As explicações são do professor Elias, do Cursinho da Poli.

“Um tema específico é a postura ambígua que Napoleão assumiu. Tomou o poder com um golpe e acabou com a Revolução Francesa, mas incorporou os ideais da revolução no código civil, que foi difundindo para os países conquistados”, afirma o professor. Deste fato, podemos entender como o modelo de sociedade ocidental predominante atualmente é derivado, em parte, das discussões políticas e ideológicas da revolução.



Fonte: UOL

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