Resumo - O Lustre - Clarice Lispector

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O Lustre - Clarice Lispector

O Lustre, segundo romance de Clarice Lispector, é penetrante.

É a vida interior de Virgínia, a personagem principal, que tem sua história narrada desde a infância e também aparece sob o signo do mal, tal como Joana, personagem do primeiro romance. 

É um romance de muitos símbolos, muitas mensagens: há um chapéu de um afogado, no começo, que reaparecerá no final do livro, e há um lustre, de um casarão, onde Virgínia e o irmão Daniel passaram a infância e que é sempre um ponto de convergência do seu passado e de sua volta. 

Quando o personagem deixa a Granja Quieta, e que lembra Virgínia no trem é o fato de ter saído do casarão e não ter olhado o velho lustre.

Para alguns críticos, o lustre representa a procura da Luz pelo personagem, já que a sua vida interior sempre fora triste e vivida em função da morte. 

Virgínia lembra no trem: "Que pena, disse surpreendida. Que pena, repetiu-se com arrependimento. 

O lustre... Olhava pela janela e no vidro descido e escuro via em mistura com o reflexo dos bancos e das pessoas o lustre. Sorriu contrita e tímida. O lustre implume. 

Como um grande e trêmulo cálice d'água. Prendendo em si a luminosa transparência alucinada o lustre pela primeira vez todo acesso na sua pálida e frígida orgia - imóvel na noite que corria com o trem atrás do vidro. O lustre. O lustre."

Todo o romance é elaborado nesse tom, um tom nostálgico, de balada sofrida e cheia de reminiscências. 

Não tem capítulos, é um fluir constante do pensamento de Virgínia, através de uma terceira pessoa narrativa, que assume, sob o ponto de vista da técnica literária, a própria condição do personagem. 

Do isolamento na Granja onde vivia, Virgínia passa ao isolamento na cidade grande. Não se adapta. 

Tenta a volta, mas tudo lá no interior já está mudado, só o passado de antiga grandeza do casarão da família ainda lhe manda um apelo de nostalgia, os poucos móveis que escaparam à falência, os muitos quartos vazios, a escadaria de tapete de veludo púrpura, a enorme sala de jantar, os cristais, os frisos, o lustre. 

Virgínia não encontra mais o que tinha vivido, a infância perdida, o passado morto. Embora com a visão longínqua da luz do antigo lustre, Virgínia vive sempre mergulhada na sombra, como se esperasse a morte a qualquer momento. 

A cidade não lhe faz bem, muito menos um amante que arranja, tampouco a convivência com o irmão Daniel, e morrerá um dia solitária na rua atropelada por um carro, reconhecida por aquele chapéu marrom do começo do romance, um chapéu simbólico de um suposto afogado.

Este é, em síntese, o tema e o não-enredo do romance, uma incursão bela e sensível pela linguagem literária, que tocará o mais frio dos leitores.

Em O Lustre, Virgínia mantém um relacionamento incestuoso com o irmão, Daniel, com quem faz reuniões secretas em que experimentam verdades, na condição de iniciados especiais.



Fonte: Vestibular1

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