Resumo - O Bicho e Nova Poética -

O resumo de livro serve para você relembrar, rever o que foi lido para a hora da prova. Nada substitui a leitura da íntegra do livro!

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O Bicho e Nova Poética - Manuel Bandeira

O Bicho  

Vi ontem um bicho

Na imundície do  pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Comentário

O poeta penetra a temática da poesia, contudo, sua apreciação é lírica. O sofrimento não é o do homem, mas o do poeta, ele mesmo. 

Por isso, sem protesto, sem investir contra a miséria, nem contra as classes dominantes, o poeta sofre por ver tão rebaixada a condição do homem, que está abaixo do rato.

Nova Poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.

Poeta sórdido:

Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.

Vai um sujeito,

Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão,   

salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:

É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:

Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

Sei que a poesia é também orvalho

Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.

Comentário

O que caracteriza o poeta sórdido é apenas a marca suja da vida. Não será, por certo, a vida porca, mas a vida sem motivo de satisfação, a vida que só traz tristezas. 

Se assim não fosse, não se justificaria a comparação com poesia orvalho, que não é poesia a transpirar pureza, mas ao contrário, da poesia dos que sofrem, é aquela dos que se sentem felizes, sem a mácula do impacto das coisas tristes, a poesia para as menininhas e para as amadas de vida cor-de-rosa. Esta não foi a poesia de Manuel Bandeira.



Fonte: Vestibular1

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