Resumo - Madamme Bovary - Gustave Flaubert

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Madamme Bovary - Gustave Flaubert

              O romance realista e polémico, considerado a obra prima de Flaubert, é dedicado ao adultério. Reflete uma sociedade provinciana e moralista que não se coaduna com a personalidade romântica que Emma Bovary, a protagonista, inventou para si própria. O retrato de uma mulher insatisfeita com a vida provinciana e a falta de paixão, cuja obsessão fantasiosa leva ao absurdo. Incapacidade intelectual e insensibilidade moral caracterizam esta personagem, que tenta escapar à realidade através da leitura de romances de amor.
            Em Madamme Bovary, romance de Gustave Flaubert (1856), o suicídio é o fim de Emma Bovary. Abordado por muitos estudiosos, este fenômeno ainda atual - o suicídio vem sendo uma das principais causas de morte em países como a França e a Ásia - foi objeto do estudo sociológico de Émile Durkheim em O Suicídio (1897). 
              A tese básica de Durkheim é que o suicídio resulta de causas sociais, diretamente ligadas ao grau de integração do indivíduo com a sociedade. A falta de integração pode resultar no suicídio egoísta. Ao contrário, se houver uma integração demasiada, ocorre o suicídio altruísta. E, por fim, o suicídio anômico que se define pela relação do indivíduo com a desorganização e anomia social. Este texto pretende, à luz da tese durkheimiana, discutir a tipologia do suicídio presente o romance citado.
          A sociedade francesa do século XIX sofre com as mudanças sociais ocorridas no mundo, mudanças que têm raízes no Renascimento e atingem seu ápice com os ideais iluministas, culminando na Revolução Francesa, e que estão intimamente ligadas às mudanças nas relações de produção, resultantes da Revolução Industrial. 
              As metamorfoses se fazem sentir em todos os aspectos da vida social levando a sociedade a uma profunda crise moral. Madamme Bovary é a radiografia desta sociedade que sofre de anomia, que se encontra afundada em uma crise da qual parece não ter solução. A forma crua de exposição adotada por Flaubert causou escândalo e foi motivo para que ele fosse processado pelo Ministério Público por ofender a moral pública e religiosa.
            O tema da leitura e do devaneio romântico é desenvolvido através da relação da personagem central, Emma Bovary, com os livros. Emma é uma grande leitora de romances românticos que constrói, a partir deles, um referencial de vida idealizado. Essa influência romântica se associa a seu sentimento de insatisfação permanente com o mundo burguês. 
              A literatura é vista como refúgio, espaço de vivência mais rico, através do qual a personagem busca fugir da mediocridade da sociedade, mas, por outro lado, é também instrumento de alienação que leva Emma a um fim trágico.
            O romance é apresentado em três partes. Na primeira, nota-se a personalidade medíocre e acomodada do futuro marido de Emma, Charles Bovary. Lento nos estudos, nunca chegaria a ser brilhante na profissão que escolhera, a medicina. Viúvo, casou-se com Emma e foi morar na província de Tostes. Para Charles a vida não poderia estar melhor. Para Emma, no entanto, "...à medida que se estreitava mais a intimidade de suas vidas, alguma coisa gradativamente a separava dele." (Flaubert, 1897: 43). Antes de se casar acreditava sentir amor por ele, porém não encontrou no casamento a felicidade mostrada nos livros que lera enquanto esteve educando-se no convento. 
              Depois de um baile no castelo de Vaubyessard, Emma sentiu uma perturbação desconhecida. Algo lhe dizia que sua vida não seria mais a mesma depois de ter conhecido este mundo de luxo e de riqueza tão diferente do seu. De volta à rotina, tanto se queixou que convenceu o marido, Charles, a se mudar para a província de Yonville.
          Na segunda parte, já em Yonville, Emma engravidou, e ficou desejosa por ter um filho homem. Teve uma menina, que entrega aos cuidados de mãe Rollet, ama-de-leite. Uma nova rotina vai se delineando. Todos os dias após o jantar reúnem-se na casa dos Bovary, Homais e Leon. Homais é o farmacêutico que é contra a igreja e a religião e defensor dos ideais iluministas e da ciência. Léon é um jovem escrevente, estudante de direito que, por ter se apaixonado por Emma e não ser correspondido - foi para Paris. 
              A partida de Leon é um golpe para Emma que perde, assim, a única pessoa com quem gostava de estar. Tudo em Yonville torna-se extremamente tedioso. Envolve-se, então, com Rodolphe, um nobre decadente que vive em seu castelo nos arredores de Yonville. Porém, após algum tempo o romance se esvazia e ele rompe com Emma, que adoece. Recuperada do golpe, apega-se à religião, que também não a satisfaz.
          Na última parte, Emma reencontra Leon em Ruão. Tornam-se amantes. Mais uma vez, Emma busca no amor uma saída para o descontentamento de sua vida. Por esta época inicia um caminho sem volta. Compra presentes para Leon e roupas luxuosas para si do comerciante Lheureux. 
              Endivida-se. Negocia as dívidas, sempre à revelia de Charles. Assina letras que sabia não poder pagar. Chega o momento, porém, em que é cobrada judicialmente e tem sua casa penhorada. Entra em pânico, desespera-se. Busca ajuda de Rodolphe e Leon. Não recebe. Como última alternativa, procura o tabelião Guillaumin, mas este tenta possuí-la em troca da ajuda. Emma não se vende. Sozinha, esgotada e sem saída, suicida-se.
            Madamme Bovary é uma obra que pelo pendor realista que a caracteriza se torna por vezes enfadonha. Entre os acontecimentos importantes arrasta-se um vagar quotidiano um tanto cansativo e contrastante com a exacerbada componente sexual e emotiva que Emma empresta ao romance. As suas experiências extra-conjugais são narradas ironicamente, e não se encontra um personagem em toda a obra que não seja alvo de sátira.
            Flaubert pintou, com o perfil dos personagens, o quadro de uma sociedade. O conformismo na pessoa de Charles. A nobreza decadente em Rodolphe. A promessa de um futuro de sucesso da pequena burguesia em Leon. Em Lheureux e Guillaumin, a burguesia enriquecida. A ascensão da ciência e da razão em relação a uma religião em crise na figura de Homais. 
              E, finalmente, Emma Bovary, o próprio retrato da crise da sociedade. De uma sociedade que acabou com a importância da religião e que, não encontrando o que colocar em seu lugar, sofreu com a falta de uma regulamentação moral. Uma sociedade que está doente, cansada e desencantada frente à inutilidade de uma busca sem fim.
            No ano em que o livro Madame Bovary foi publicado, houve na França um grande interesse pela obra, que chegou levar o seu escritor a julgamento. O romance foi considerado imoral pelo governo francês, que decidiu mover um processo contra Flaubert. Foi processado por ofender a moral pública. E hoje, Madamme Bovary é considerado obra-prima e precursor do Realismo na Europa.
            O autor acabou absolvido pela lei, mas não pelos críticos puritanos da época, que não perdoaram o escritor pelo tratamento cru que dera ao tema do adultério no romance. Flaubert era, segundo alguns críticos, contra tudo aquilo que ele mesmo representava, pois sendo filho de um provinciano rico e vivendo de rendas durante a idade adulta, a sua obra seria fruto da tensão que tinha com a sua condição de burguês.



Fonte: Vestibular1

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