Resumo - Lírica - Luís de Camões

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Lírica - Luís de Camões

A Lírica Camoniana

            Considerado o maior poeta lírico português de todos os tempos, sua poesia lírica é marcada por uma dualidade: ora revela textos de nítida herança tradicional portuguesa, ora sua poesia se enquadra na medida nova renascentista. Podemos notar, ainda, a fusão dessas características em outros textos.

            Seus sonetos foram produzidos em medida nova. Suas poesias escritas em medida velha compreendiam redondilhas tanto maiores como menores, a maior parte delas estruturadas a partir de um mote, isto é, uma sugestão inicial, que era desenvolvida pelo poema nas estrofes seguintes, sob o título de volta.

            Em Camões, a herança das cantigas trovadorescas aparece principalmente nas redondilhas. O mar, as fontes e a natureza surgem em diálogos, lembrando as cantigas de amigo, apenas não se colocando no lugar da mulher e, sim, falando sobre ela.

            Percebe-se, em alguns textos da lírica camoniana, a influência da filosofia platônica, sobre o mundo sensível e o mundo inteligível, principalmente em alguns sonetos como nas redondilhas de Babel e Sião.

            Um dos temas mais ricos da lírica de Camões é o Amor, ora visto como idéia (neoplatonismo), ora como manifestação de carnalidade. Nesse Amor como idéia ou essência, nota-se uma nítida influência da poesia de Petrarca e Dante, sendo a mulher amada retratada de forma ideal, como um ser superior e perfeito.

            Em outros momentos, talvez em função de sua vida atribulada, Camões não canta mais o amor espiritualizado, mas um amor terreno, carnal, erótico. Pela impossibilidade de obter uma síntese desses dois amores, nota-se, às vezes, o uso abusivo de antíteses.

            O desconcerto do mundo foi um dos temas que mais preocuparam o poeta português, manifestando-se em poemas sobre as injustiças, a recompensa aos maus e o castigo aos bons; sobre a ambição e a inútil tentativa de acumular bens que acabam no nada da morte; sobre os sofrimentos constantes que aniquilam prováveis conquistas; enfim, sobre o conflito violento entre o ser e o dever ser.

            Convocando saber, experiência, imaginação, memória, razão e sensibilidade, o autor sondava o sombrio mundo do Eu, da mulher, da pátria, da vida e de Deus. O poeta mergulhou em verdadeiro labirinto de "escavação" do Eu, marcada por estágios de angústia crescente.

           "Camões atingiu uma maestria do verso que deixa muito para trás os seus antecessores em redondilha ou em decassílabo. A arte com que narra uma curta história (como em 'Sete anos de pastor Jacob servia'), ou estiliza o discurso interior (como na canção 'Vinde de cá' ou nas redondilhas 'Sobre os rios'), ou desenvolve musicalmente, como que sem discurso, um tema tradicional (voltas ao mote 'Saudade Minha'), ou discorre de modo reflexivo ('Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades'), faz de Camões, pela diversidade de registro, pelo poder de síntese, pela fluência, pela adequação exata a um senti que se está pensando ou a um pensar que se está sentindo, o maior poeta português antes de Fernando Pessoa." (Antônio José Saraiva e Oscar Lopes). 

Soneto de Camões

 Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que doi e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que se desatina sem doer;

 É um não querer mais do que bem querer;

É um solitário andar por entre agente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

 É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade;

 Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é mesmo Amor?



Fonte: Vestibular1

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