Resumo - Contos Bob (pseudônimo de Olavo Bilac)

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Conto Para Velhos - Bob (pseudônimo de Olavo Bilac)

                Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac é o príncipe dos poetas brasileiros. Ele paira sobre a cultura nacional como o protótipo do homem de letras. Suas obras são consideradas perfeitas na estilística e na temática. Poesias como "Via Láctea" e "O caçador de esmeraldas", produções teóricas como "Tratado de Versificação", trabalhos pedagógicos como "Contos Pátrios para Crianças" e discursos, críticas e hinos de exaltação ao nacionalismo e à cidadania dão à sua obra dimensões imensas que vão desde a lírica mais plangente até as preocupações mais imediatas e materiais - sem que imediato e material signifiquem demérito. 

               Nada lhe escapa, nenhum assunto lhe é estranho. Uma entrevista realizada por João do Rio com o poeta deixa evidente as suas preocupações com problemas como o analfabetismo, a circulação de informações, a liberdade de imprensa e o papel do escritor no mundo.

                Tendo visitado os píncaros e os delírios da imaginação elevada, o cronista da alma lírica sempre se movimentou em direção ao imaginário popular. 

               Cuidadoso, muitas vezes escondido atrás de pseudônimos, desde o tempo de A Gazeta e de A Cigarra, Bilac foi em busca daquele tipo de informação a propósito dos momentos mais íntimos e lascivos de cada um, antevistos por olhares indiscretos e recontados pela expressão irônica que não poupa ninguém.

Será como um simples Bob que ele assina estes Contos para velhos. Três letras: bê, o, bê que lembram imediatamente o diminutivo de Robert, porém não deixam esquecer o bobo, sem a vogal final. O bobo na corte do príncipe dos poetas, figura literária de uso habitual quando o escritor quer dizer o proibido e o censurável. 

               Aquele discurso, que é sempre menosprezado e pouco valorizado, logo que é expresso ecoa entre os que tomam contato com ele e encontram naquelas palavras falseadas um pensamento que se manteve, e se mantém, circulando sem haver tido, no entanto, espaço para se fazer representar no mundo da gramática e da poética elevada.

                Como se fora este personagem, afinal, intrinsecamente literário, o poeta apresenta os contos em questão. Um livro que ironiza a precisão classificatória preestabelecida e desafia o leitor desde o nome, pois os tais contos são contados em prosa, mas, também, em versos. 

               Uma sucessão de historietas que bem poderiam ter sido recolhidas no interior de Minas Gerais quando o poeta esteve por lá, fugindo de perseguições políticas. 

               Casos simplórios que desfiam o cotidiano de pessoas e famílias do povo e das elites, pescadores e comendadores, habitantes da cidade grande e dos pequenos povoados do interior e do litoral. 

               Textos que expõem os pequenos atos libidinosos e as atitudes lascivas de seus personagens. Ações banais que, de tão comuns, pertencem não apenas àquelas pessoas, mas, também, a toda a humanidade, em todos os tempos. 

               Ações acontecidas em um instante mágico que despertaram a atenção, foram captadas e mantidas vivas por cronistas de todos os tempos. Assim, ao ler as brasileiríssimas histórias de Rosinha às voltas com seu inocente marido, de Luísa e o fecundo luar ou de um casal "claro como a luz" e seu filhinho "preto como carvão", quem não se lembrará daquelas outras histórias européias eternizadas no Decamerão. 

               Qual conhecedor do livro apócrifo Teresa filósofa poderá negar um parentesco entre o bom padre João com uma enguia enrolada em sua cintura e o pervertido padre Dirrag e seu cordão "santo", com o qual flagela a Mademoiselle Eradice, apesar de seus caracteres morais opostos. 

               Do mesmo modo, será impossível deixar de notar uma semelhança entre os prazeres sentidos pela senhorita francesa e aqueles outros gozados por Luisinha em seu encontro com o angélico diabo ou por Rita Rosa durante os procedimentos para a cura do furúnculo do padre Jacinto Prior, todas pressurosas em atender às orientações de seus confessores para alcançar a remissão dos pecados e a salvação do corpo e da alma, por mais disparatadas que sejam tais instruções.

                A perspectiva utilizada pelo autor para desfiar os contos permitiria, ainda, no mínimo, mais uma especulação sobre semelhanças e diferenças. Em sua postura discreta, Bob, aparentemente, não interfere nos acontecimentos que descreve, apenas os relata. Mas isso é apenas aparente. 

               Em "Os óculos", por exemplo, as reticências, as interjeições e as reticências, se não expressam uma opinião acabada sobre fatos e pessoas, parecem chamar o leitor para uma conversa reservada, onde os interlocutores conversariam sobre as impressões das cenas que seu voyeurismo está acompanhando. 

               Uma espécie de Sade para quem o distanciamento e a crueza com que flagra as relações mundanas dos burgueses e dos camponeses estabeleceriam, ao mesmo tempo, o espaço onde denuncia a reflexão sobre as conseqüências das demandas do desejo sobre as pessoas.

                Nesta versão, talvez a primeira completa desde a lançada pela Casa  Mont'Alverne, de 1897, os textos tiveram sua ortografia atualizada, exceto quando o vernáculo atual aceita variações, como no caso de cousa. Mesmo os nomes próprios tiveram sua ortografia revisada. 

               No estilo e forma mantivemos as opções da primeira edição, mesmo nas raras vezes em que se apresentam numa pior forma - pretende-se, nestes casos, chamar a atenção para as especulações de Bilac sobre a presença de versos impuros na temática e no desenvolvimento estilístico de uma grande obra poética, como foi o caso de Bocage. 

               Entre os versos, algumas opções delicadas foram feitas no que diz respeito às rimas, pois havia letras e sinais ortográficos raspados, não se pode saber se pelo editor ou pelo tempo. 

               Esta nota informativa de Contos para velhos procura chamar a atenção para as paixões e os desejos em sua expressão mais simplória e cotidiana, destacar a sempiterna busca da imanência e a marca da presença diuturna do clero e dos sabichões, intermediando a relação entre as demandas terrenas e as divinas. 

               Ao fazê-lo, tem uma pretensão: tirar esta pequena obra do limbo em que o maldizer, o esquecimento e a censura a colocam, enviando-a para a companhia de algumas das mais nobres, embora polêmicas, produções literárias feitas pelos poetas de todos os tempos. 

               Um movimento que não deixa de conter uma certa ironia, pois, afinal, os contos sairão de um limbo para cair em outro, agora o da virtualidade eletrônica, tão novo e tão desconhecido quanto aos efeitos que trarão para as obras de arte que nele são depositadas.



Fonte: Vestibular1

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