Resumo - Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente

O resumo de livro serve para você relembrar, rever o que foi lido para a hora da prova. Nada substitui a leitura da íntegra do livro!

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Sônia Coutinho

Sobre a autora

 

         Contista premiada – Jabuti, pelo melhor libro de contos de 1979. Os venenos de Lucrécia e Status, para literatura erótica – Sônia Coutinho já teve suas histórias incluídas em cerca de 20 antologias, algumas publicadas no exterior. Autora de cinco livros de contos e uma novela, Atire em Sofia é seu primeiro romance. Jornalista e tradutora, Sônia nasceu na Bahia e mudou-se para o Rio em 1968, tendo trabalhado em vários jornais. Traduziu cerca de 30 livros de autores como Doris Lessing, Carson McCullers, E. M. Forster e Graham Greene.

"Uma das coisas mais desagradáveis é quando se toma ao pé da letra o que o escritor diz. Meus personagens não são, necessariamente, meus porta-vozes nem alteregos. Mas claro que, quando escrevo, como todo uso experiências minhas como base para criar situações fictícias." (Sônia Coutinho)

I.     BREVE INTRÓITO INTERTEXTUAL – MULHER NO ESPELHO E ATIRE EM SOFIA:

Personagens femininos em busca de identidade.

– Helena Parente e Sônia Coutinho são escritoras da geração 60. São baianas que foram educadas para serem boas mães e esposas, ou seja para constituírem famílias.

– "Atire em Sofia" 1989 e "Mulher no Espelho" 1985, trazem reflexões de personagens que falam de suas experiências como mães e esposas, mas, principalmente, do choque entre os papéis sociais para os quais elas foram destinadas desde jovens e as aparições de cada enquanto mulher".

O eixo de discussão dos romances recai em um mesmo ponto: no jogo dos espelhos – aliás metáfora presente nas duas narrativas – que remete à busca dos personagens por sua identidade, mulheres empenhadas em desvelar o rosto impedido de viver suas experiências, suas emoções. (Lúcia Leiro)

"O foto de reunir simbolicamente idéias de desdobramentos e conhecimento de si torna o espelho uma metáfora, freqüente na produção de autoria feminina e basilar para a crítica feminista, já que o seu sentido está relacionado diretamente à discussão sobre a identidade feminina, mostrando – através da reflexão das personagens, não para encontrar um igual, mas, ao contrário, para defrontar-se com o outro – como o construeto androcêntrico da sociedade ocidental é violento e inadequado à realização da mulher:

– O espelho não tem como função refletir uma imagem; tornando-se a alma um espelho perfeito, ela participa da imagem e, através dessa participação, passa por uma transformação. Existe, portanto, uma configuração entre o sujeito contemplado e o espelho que contempla!"

 

 

II.  O ESPELHO NA OBRA

"Em Atire em Sofia, 1989, a passagem do espelho mostra o personagem empreendendo uma viagem memorialística em direção a si mesma. Atravessar o espelho, como Alice, conduz a personagem a uma aventura de autoconhecimento, no intuito de encontrar respostas para a sua exclusão/invisibilidade.

À medida em que a personagem vai encontrando sentido para a sua existência, a imagem vai sendo recuperada até obter a visão de um rosto pálido e envelhecido, um rosto afivelado em cima de muitos outros, como a penúltima máscara, um rosto qualquer, enfim, mas é o seu." (Lúcia Leiro)

 

 

III.              CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA OBRA E DA PROTAGONISTA

– "Há neste livro uma discussão em torno da identidade da mulher."

– "Olhar o espelho consiste em executar uma viagem introspectiva na tentativa de encontrar, nesta mirada, um sentido para a sua própria vida." (Lúcia Leiro)

– "O espelho é um objetivo metafórico."

A obra "apresenta o espelho que reflete o outro lado que não se mostra, ao mesmo tempo que estabelece um elo de reflexão com a personagem descrita como uma mulher casada, mãe, dona de casa e que tem a sua sexualidade satisfatoriamente vivenciada com o amante, mas deve ser ocultado da sociedade." (Lúcia Leiro)

– A personagem busca entender a si mesma. Ela é uma mulher que traçou seu próprio caminho na tentativa de encontrar alternativas e saídas para viver uma vida mais humana e mais plena em uma sociedade patriarcal que só a reconhecia no papel de mãe e esposa.

– Como bem atesta Lúcia Leito, neste romance, a busca da identidade engendrada pela personagem encontra resistência devido aos papéis que ela exerce na sociedade, fazendo com que, algumas vezes, ela rompa com código e sofra a angústia da culpa ou encontre, sem violar código, formas de não permitir que o rosto encoberto sucumba às máscaras do cotidiano.

 

 

IV.UM POUCO MAIS SOBRE A AUTORA

Acompanhe parte de uma entrevista dada por Sônia Coutinho a Simone Ribeiro para o jornal A TARDE.

SR – Como você encara o fato de estar incluída entre os autores estudados para o Vestibular e ser conhecida por adolescentes?

SC – Estou imensamente feliz. Inclusive porque Atire em Sofia, o livro adotado, é muito crítico. É um livro sobre a Bahia, mas não tem nada a ver com o clima tradicional de louvações à beleza e alegria naturais. Por causa disso, a escolha de Atire em Sofia foi muito lisonjeira para mim. E acho que é mais lisonjeira ainda, nesse sentido, para os próprios baianos – mostra como as cabeças mudaram. O livro, aliás, foi escrito na Bahia mesmo, em 1987/88, período em que interrompi meu jornal no Rio, a fim de ganhar tempo para a literatura, e aceitei um emprego aí.

SR – Qual a sua opinião sobre a ficção brasileira produzida dos anos 70 para cá?

SC – É uma ficção muito rica, mas foi sendo cada vez mais relegada. O público, de modo geral, tem se mostrado menos ligado e o espaço dado à literatura brasileira na imprensa nunca foi tão pequeno. O que vem nas capas são sempre os best-sellers e estrangeiros. Mas há suplementos culturais fora do eixo Rio-São Paulo que fazem um ótimo trabalho e abrem mais espaço para a boa literatura brasileira.

SR – Marcel Proust, Clarice Lispector, Vírgina Woolf, você se considera de certa forma herdeira dessa literatura mais intimista ou psicológica?

SC – Não acho que minha literatura seja "intimista". Aliás, detesto essa palavra. A não ser que você se refira a textos bem trabalhados e até poéticos, mesmo quando o assunto é crime. Vêem elementos policiais em meus principais romances. Foi o caso de Os seios de Pandora. Quanto a mim, acho que escrevi o livro mais para "desconstruir" o policial clássico, machista, criando uma figura feminina de investigação. No lugar da detetive, uma repórter. Já Atire em Sofia e O caso Alice são histórias de crime, embora claro que tenham outros elementos. São críticos, têm muito de "mágico", sobrenatural mesmo e até toques históricos (em Atire em Sofia). Já O jogo de Ifá é um pequeno romance "experimental". Por outro lado, as personagens, na maioria mulheres, não estão mais trancadas no lar patriarcal, entregues ao seu "intimismo", mas trabalham fora, se sustentam, moram sozinhas. E pagam um alto preço por isso, evidentemente. É a nova mulher brasileira, que apareceu no início dos anos 70, quando eu estreava em literatura, no Rio. Acho que uma contribuição da minha literatura foi dar voz a essa mulher.

 

 

V.   PERSONAGENS

Fernando

 "Folheia devagar o álbum de fotografias que tem no colo, observando com cuidado cada foto amarelada com rostos e ambientes de seu tempo de escola. Numa das páginas, um grupo de jovens, que vai identificando: João Paulo, Tom, Josué, Maíra, Matilde, Sofia e ele próprio. Uma turma que nunca perdeu o contato entre si, ao longo dos anos. A não ser por Josué, que morreu primeiro."

Sofia

É uma mulher de quase 40 anos, sozinha, depois de dois casamentos frustrados e várias relações mal sucedidas. Há vinte anos vivendo no Rio de Janeiro e agora "novamente nesta cidade que tinha ficado dentro dela, por tantos anos, como coisa má ou amor-ódio, esta cidade que sempre lhe doeu, de maneiras diferentes. Talvez jamais tivesse conseguido deitar raízes fundas no Rio, só tentara uma vez durante seu segundo casamento, com Jacinto. O resto fora viver à superfície, ameaçada de submergir a qualquer momento fosse por falta de dinheiro ou por excesso de solidão.

Sua mãe sempre foi para ela um parâmetro inverso – era uma perigosa porta-voz do sistema, tinha de ter cuidado com qualquer de seus conselhos. Seu primeiro marido, Pedro, embora rico, era quase mulato e isso o tornava inviável aos olhos da mãe. Quando vieram as filhas, a mãe o aceitou, entrou em sua casa e firmou, com Pedro, um pacto contra ela.

Tentando fugir desse esquema sufocante e querendo viver uma experiência humana mais ampla, integral, envolve-se com um jornalista e não luta pelas filhas quando Pedro descobre o caso e lhe propõe a separação legal. Ele fica com a custódia das meninas e não lhe dá nenhum dinheiro. Se não aceitasse, brigariam na justiça e ela não teria sequer o apoio da mãe.

Ela vai embora, as filhas ficaram. Passou noites em claro, imaginando como elas estariam junto a um pai patriarcal e a uma avó que impunha seus modelos. Era uma menina ainda e lutava para sobreviver.

Quando se casou com Jacinto as meninas a visitaram poucas vezes, não gostavam dele. Nos outros relacionamentos não quisera envolver as meninas. Tenta disfarçar, mas explode em pranto: ela é uma mulher e há todo um legado latino-americano de lágrimas femininas a considerar.

Foi seduzida ou violentada, em menina, por um tio – e nunca contou a ninguém. Aprendeu a representar a vida inteira: num clima de repressão sexual, menina ainda deixou de ser virgem, teve relações com um adulto, além de tudo seu tio. Ele terminou suicidando-se.

São vários os amores de sua vida:

A relação com Tony, o garoto chileno com quem teve o maior orgasmo de sua vida, durou oito meses. Com Juca descobriu que os homens tinham cada vez menos poder de lhe causar sofrimento e eram cada vez menos capazes de lhe dar alguma felicidade. Pablo a encantava pela vivacidade e por um certo clima de rebeldia e loucura que o cercava. Foram para a cama poucas vezes e sem grande prazer. Um novo colega de trabalho desperta nela uma atração irracional e ela tece histórias em torno de uma relação com ele. O último homem por que se apaixonou foi Ricardo. Vendedor de automóveis, casado, com seus horários ocupados, bonito demais, forte como um touro e muito doce despertava em Sofia sentimentos contraditórios: a Sofia do Rio se permitia amar Ricardo, a Sofia desta cidade enchia-se de culpa e repetia para se: puta, puta.

Sofia, de volta a esta cidade, descobre as muitas pessoas que é. Nela descobre outra família na que era a sua: outros amigos nos que eram os seus.

João Paulo

Presença constante na vida de Sofia ao longo dos anos, mas nunca se tornou uma companhia realmente sólida. Tem 41 anos e há 20 anos foi para a Espanha com uma bolsa de pós-graduação em Direito como o marido de Sofia. Moravam todos juntos na casa do Brasil em Madri. Por pouco ele e Sofia não se tornaram amantes nesta época. Isso só veio a acontecer após o término do segundo casamento de Sofia.

Na época Sofia morava no Rio de Janeiro e ele trabalhava em um jornal em São Paulo. Ela ia quase todos os fins de semana e hospedava-se no hotel-residência onde ele morava.

Até que ele se apaixonou por uma colega e Sofia afastou-se sem mágoas.

Sua vida no Rio é marcada pela obsessão com roupas, aparência, mesas de bar repletas e barulhentas, almoço, jantares e sexo insatisfatório. Estava à beira de um colapso, quando arquiteta um projeto romântico e louco: deixar o emprego, viver de suas economias enquanto escreve um livro. Conta com o apoio de uns tios que lhe emprestam um quarto-e-sala em Salvador e um carro velho – desespero, fuga ou tentativa mesmo de escrever um romance?

Esta cidade está exercendo sobre ele um efeito estranho e faz com que mergulhe em seu passado remoto e desça ao mais fundo de si mesmo.

Revê, de repente, cenas de sua infância no interior, seu sentimento de inferioridade diante dos colegas por sua mãe ter sido primeiro prostituta e, depois, "rapariga" de um coronel do cacau.

Era filho de um soldado que quase não conheceu, caso de amor de sua mãe ainda menina. Fora sustentada pela mesada do coronel até terminar o curso de Direito, mesmo tendo já seu Francisco se separado de sua mãe. E ainda foi ele quem lhe conseguiu uma bolsa para uma pós-graduação na Espanha.

Lembra o seu amor por Alina e a dificuldade dela de romper com os padrões para segui-lo, embora o incentivasse a lutar pelo sucesso. O reconhecimento como jornalista chegou sem nenhum entusiasmo de sua parte. As mulheres que passavam por sua vida davam-lhe a sensação estranha de fascinação e nojo. Todas como sua mãe – bonita, temperamental, "rapariga". Sempre houve nele um potencial inesgotável e semi-adormecido do ódio contra as mulheres. Teve três casamentos, mas, felizmente, nunca houve filhos.

Às vezes pensa em ser um crítico de jazz ou então vir morar aqui e abrir um restaurantezinho ou uma pequena galeria de arte.

O jovem João Paulo que saiu daqui para realizar tantos sonhos e projetos está morto. E, até certo ponto, conseguiu – só que o sonhador morreu e os sonhos perderam o sentido, ou viravam pesadelos.

Na cama, tentando dormir, conclui: enlouquecer é muito mais fácil do que jamais imaginou. Pode-se perfeitamente enlouquecer e continuar vivendo, como todo mundo – ou quase.

Fernando

Agora, um homem de meia idade, cabelos grisalhos, ligeiramente gordo, parecendo acomodado a suas tarefas diárias de advogado e professor de grego na Universidade.

O rosto mantém os traços firmes e ele conserva também seu jeito cortês e suave de sempre. Continua, porém, uma pessoa algo misteriosa, alguém que sempre cultivou a obscuridade, como se este fosse o único clima que conviesse. Sempre evitou destacar-se.

Fazia esforço constante para agradar até o ponto de auto-anulação. O mistério sempre cercou sua vida amorosa aparentemente inexistente. Fernando e seu sorrido. Fernando e seus constantes sins. Era na casa de Fernando que a turma se reunia nos almoços de domingo para planejar e sonhar o futuro.

Filho de um comerciante português que lutou toda a vida para garantir o "sossego" dos filhos, conclui Direito e Letras Clássicas e logo após a formatura ganha um apartamento e uma pequena fazenda de gado. Sua mãe era uma mulher dedicada aos filhos, padrão de comportamento, quase uma santa.

Ele não se casara e despertou, por isso, especulações maldosas, mas seu comportamento garantia que não ia contestar os costumes e desempenharia seu papel a contento.

Para ele a regra da vida é a moderação, o nada em excesso. Quando o simples mortal ultrapassa a medida e cai no descomedimento, os deuses se enfurecem e lhe aplicam o destino cego.

Matilde

A cidade considera sua maneira de vestir espalhafatosa para uma mulher de 40 anos: saias curtas, cores muito vivas, babados, botinhas prateadas, barriga de fora. Freqüenta os lugares chiques e movimentados e procura seduzir os homens.

Fora educada de forma convencional, encaixara-se nos modelos propostos pela família e pela sociedade, casara-se virgem com um marido escolhido pelos pais. Após a morte dos pais, o marido apossou-se da sua herança e a abandonou, ficando inclusive com a custódia dos filhos. Vive apenas com uma pensão que lhe ficara dos pais e que lhe garante apenas a sobrevivência. Criou uma rotina para afogar a solidão e abafar o desespero.

No final, Matilde encontra Júlio, um antropólogo com jeito de hippie tardio, malvisto pelo sistema universitário por seu contato com grupos negros. Ele sente muita ternura por ela e resolve protegê-la.

Tom

Cabelo comprido com alguns fios brancos, a pele morena, uma intensidade de criatura da terra, com cheiro de mato úmido. O único de sua turma de escola que estudou fora, fez vestibular para um curso de Física em São Paulo e passou. Mas abandonou o curso quando se tornou um militante político radical, em meados dos anos 60. Nos anos 70, jurado de morte, exilou-se e ficou fora do Brasil quase uma década. Casou-se duas vezes, teve filhos, separou-se. Agora, com cabelos emaranhados de hippie, trabalha em misteriosas empreitadas e transa com garotinhas. Apesar do cabelo, está ficando com um jeito de empresário próspero.

Josué

Era um especialista em datas, capaz de lembrar, por exemplo, a cor da blusa que Sofia usava no ano tal, em determinado dia e hora. Sofia costumava dizer que ele era a sua memória. Com a sua morte, morreu uma boa parte de Sofia. Numa viagem de pesquisas à Europa, conheceu Ingrid, uma moça austríaca, e veio morar com ela na cidade. Na época em que se encontrou com os colegas de escola, num almoço, dizia ter desvendado o mistério da morte e já sabia quando iria morrer. Morreu poucos meses depois daquele almoço.

Maíra

Engordando confortavelmente no enorme apartamento herdado do marido, já tem pouco a ver com essa imagem sua que aparece nas fotos, de colegial, magrinha, morena, risonha. A mãe queria casá-la com um engenheiro alourado e bonito, comportado e promissor que terminou com acessos de loucura. Para Maíra, a mudança de valores e costumes levou muitas pessoas à loucura. Eram preparados para uma realidade e enfrentavam outras bem diferentes.

Ela consegue viver à sua maneira, conservando sua vitalidade e sua disposição para se divertir. Teve e tem muitos homens ainda. Vive à margem, não sabe se é aceita. Sobrevive porque o casamento lhe deixou alguma coisa.

Milena

Faz do curso de Psicologia. É aluna de Fernando, professor de grego, matéria eletiva do seu curso. Tem 19 anos, um namorado negro e lindo e não consegue deixar de ser virgem.

Cabelo alto e crespo, cortado redondo, e traje sempre negro – pulseirinha de couro negro, com toachas, botinhas negras. Chamada, nas casas noturnas, por um nome de guerra – Dandalunda.

Não passa de uma moça magrinha e muito morena, quase mulata; a mulatinha rica que faz, no máximo, um estilo afro-punk de boutique, capaz de chorar de desamparo e solidão. Por mais que se pareça com a mãe, por mais que a ame, ela nunca vai se aproximar de Sofia. A cidade lhe impôs uma marca – continuará sendo "a filha da Sofia", uma "mulher perdida".

A avó a obrigou até certa idade a alisar o cabelo. Seu pai comporta-se como ariano puro e fala contra os negros em todas as oportunidades. Nas escolas chiques que freqüentou ouvia alusões a seu cabelo e sua cor, vivenciando o preconceito. Rebelou-se e o ato simbólico desta rebeldia foi deixar de alisar o cabelo e adotar um penteado afro.

A avó e o pai tentavam impedir que freqüentasse o candomblé e dançasse o carnaval de rua. Como tentou o suicídio, fingem ignorar tudo que lhes desagrada e pagam um psicanalista para ela.

Maura

Doce e aparentemente tranqüila, pele clara, vestido azul e branco. Para Milena, ela é tola e carente e vai repetir o modelo da avó.

 

Obs.: O estudioso Sebastião Veloso faz uma inteligente colocação acerca da obra num estudo feito direcionado para o vestibular da UFBA.

"A obra não condiciona a crise existencialista apenas às mulheres feministas mas, em menor proporção, denuncia que anos de contemporaneidade são também aqueles onde o ser humano entra em crise porque busca em tudo, se projeta em tudo mas não se vê em nada. Sua imagem não é refletida em nada. Então se sente solto no espaço sem vínculo algum material ou espiritual, muito menos com o outro, o próximo. Quase sempre este comportamento se expressava nos homens e mulheres de classe média, universitários, de famílias conservadoras e bem relacionadas com a elite social. Com essa busca constante, sempre no vácuo de algo, mas nunca com as mãos no objeto, estas pessoas se afundavam nas drogas, na solidão, no vazio interior, no seu próprio eu que não servia para segurá-la, porque era frágil o suficiente para não permiti-las coragem de lutar contra esta sofreguidão marasmenta em que viviam. João Paulo, Fernando, Sofia, Milena (...) são exemplos de pessoas que sofreram profundamente por causa desta busca interior de coisas imateriais.

 

 

VI.A PRESENÇA DO SOBRENATURAL

No pensamento de Fernando, Sofia aparece como Lilith. Ela própria se admite Lilith, como quando atende ao telefonema que a convida a voltar para Salvador:

Eu, Lilith. A primeira companheira de Adão, a mulher suja de sangue e saliva que lhe perguntou: "Por que devo me deitar embaixo de você? Por que devo me abrir debaixo do seu corpo? Por que ser dominada por você? Mas eu também fui feita de pó e por isso sou sua igual".

Voei então para muito longe, em direção às margens do Mar Vermelho, e Jeová decretou: "O desejo de mulher é para seu marido. Volte para ele." Ao que eu respondi: "Não quero mais nada com meu marido".

Jeová mandou à minha procura uma formação de anjos, que me alcançaram nas charnecas desertas do Mar Arábico, cujas águas atraem os demônios. Estava cercada de criaturas das trevas, quando chegaram anjos enviados por Jeová. Disse a eles: "Não vou, este é meu lugar." E fiquei, e conquistei minha liberdade e minha solidão.

(Atire em Sofia, pág. 12)

 

Lilith, na tradição cabalística, seria o nome da mulher criada antes de Eva, ao mesmo tempo que Adão, não de uma costela de homem, mas ela também diretamente da terra.

Ela se tornará instigadora de grandes conflitos e amores ilegítimos, a perturbadora de leitor conjugais.

Uma das mais famosas figuras do folclore hebreu, Lilith faz, assim, parte de um grupo de espíritos malignos identificados com a noite.

Na Babilônia, aparece como uma ninfa vampiro que dá aos filhos do homem o leite venenoso dos sonhos. Conhecida também como Lua Negra, é comparada à sombra do inconsciente, aos impulsos obscuros, devora os recém-nascidos, devorada ela própria pelo ciúme.

A literatura interessa-se sobretudo por Lilith revoltada, que, na afirmação de seu direito à liberdade e ao prazer, à igualdade em relação ao homem, perderia a si própria, assim como perde aqueles que encontra.

O mito de Lilith tem por função afastar dela os homens, alertando-os do perigo que representa para eles. Sua função principal, contudo, seria alertar as mulheres: aquela que não segue a lei de Adão será rejeitada, eternamente insatisfeita e fonte de infelicidade. Dessa maneira, rejeitada pela sociedade dos homens, deseja fazer-se conhecer, se necessário for, pelo avesso, ou seja, pelo mal que lhes faz.

No Talmude, século VI a.C., ela aparece como a primeira mulher de Adão. Conta-se que, feita do mesmo barro que moldou Adão, não se deixou subjugar por ele durante o primeiro intercurso sexual, levando-o a se sentir repelido e desejoso de outro tipo de companheira. Lilith queria fazer valer seus direitos de ser também uma criatura de Deus e apresentava sua opinião e sua palavra como tão importantes quanto as de Adão.

(http://sites.uol.com.br/Xango/lilith.html)

Ishtar é também uma representação de Lilith e Milena identifica-se com esta deusa babilônica, revelando-nos as suas semelhanças com Sofia.

Eu sou Ishtar, a deusa babilônica. As estrelas são meu cinto dourado, que tiro antes de descer para o mundo subterrâneo das trevas. Minha descida é no tempo da Lua Negra, ou quando chega o inverno e a terra se torna árida. Aproximo-me do porteiro do inferno, digo: "Abre teu portão para eu poder entrar. Se não abrir, arrebentarei a porta, farei os mortos se levantarem e devorarem os vivos, de modo que o número dos mortos ultrapassará o dos vivos." Sou a deusa do amanhecer e a deusa do fim de tarde, deusa guerreira ou deusa do amor.

E foi meu amor, segundo o herói Gilgamesh, que causou a morte de Tamuz, deus da colheita. Para salvar Tamuz é que concebi o plano de descer aos infernos, viajar para aquela terra de onde ninguém volta, para aquela casa da qual não se torna a sair. Os portões se abriram, entrei nos sete aposentos, em cada portão ia tirando um adorno ou uma peça de roupa. A grande coroa da minha cabeça, brinco das orelhas, o colar do pescoço, as jóias do peito, a tiara enfeitada com pedras zodiacais, as pulseiras dos pulsos e dos tornozelos – e, finalmente, a roupa que cobria a minha nudez.

(Atire em Sofia, pág. 39)

 

Ishtar é a Grande Deusa, venerada como força da vida feminina, responsável pela viação da vida e pela destruição da mesma. Tinha amantes por prazer e não para que seus filhos tivessem um pai. Ela fragmentou-se em muitas deusas menores, recebendo cada uma delas atributos que outrora tinham pertencido a ela.

 

 

AS DEUSAS GREGAS E AS MULHERES CONTEMPORÂNEAS

As deusas gregas são imagens de mulheres que viveram na imaginação humana por mais de três mil anos. As deusas são modelos ou representações daquilo que as mulheres se assemelham (com mais poder e diversidade de comportamento do que as mulheres se têm historicamente consentido exercitar. Elas são bonitas e fortes. São motivadas por aquilo que lhes interessa) e elas representam padrões inerentes ou arquétipos que podem modelar o curso de vida da mulher. (...) Todas as deusas estão potencialmente presentes em cada mulher. Quando diversas deusas disputavam o domínio sobre a psique de uma mulher, esta precisa decidir que aspecto de si própria expressar, e quando expressá-lo. Ela, aliás, será arrastada primeiro numa direção e depois noutra.

As deusas também viviam numa sociedade patriarcal. Os deuses governavam a terra, o céu, o oceano e o inferno. Cada deusa independentemente se ajustava a essa realidade a seu modo, separando-se dos homens, unindo-se a eles como um deles, ou retraindo-se no íntimo. Cada deusa que dava valor a um determinado relacionamento era vulnerável e relativamente fraca em comparação aos deuses, que podiam negar-lhe o que ela queria e dominá-la. As deusas, portanto, representavam modelos que refletem a vida numa cultura patriarcal.

(Jean Shinoda Bolen)

 

Eu, Lilith. Os sumérios me representaram num baixo-relevo, severa e poderosa, com serpentes em vez de cabelos, duas asas e, no lugar dos pés, garras de abutre.

Já os gregos me chamavam de Hécate e situaram meu reino em Tártaro, na confluência de rios malditos: Estige, Aqueronte, Averno, Lete. À entrada, havia um bosque de álamos brancos, que balouçavam constantemente ao sabor da brisa e, mais além, o palácio onde moravam Hades e Perséfone, a quem eu fazia companhia. Minha casa era cercada de ciprestes e dela eu partia a cada 28 dias e espalhava o pavor na Terra, ao aparecer repentinamente precedida de Cérebro, o guardião dos infernos, que ladrava para advertir os agonizadores. Uma multidão de fantasmas fazia parte do meu cortejo.

Também fui a Empusa, com cabelos e tórax de mulher, mas com nádegas de asno e, no lugar de um dos pés, um casco de cavalo. Ás vezes, assumia a forma de cadela ou de vaca e despertava a luxúria e o terror. Eu, a deusa das perversões secretas.

E fui Equidna, metade serpente, metade uma jovem linda que morava numa caverna imensa, no côncavo de um penhasco. Fui, ainda, Circe, rainha dos encantamentos maléficos, manipulando filtros e venenos, drogas sombrias. Alta, bela e altiva, morando numa ilha banhada por quentes mares – mas os êxtases que eu proporcionava custavam a destruição.

Sou eu, Lilith. Encarnada também nas Harpias, na Medusa. Eu, o incubo. Quem, durante a noite, sofria de terrores e tinha delírios, quem saltava da cama apavorada e corria, era do meu ataque que estava fugindo. Cubro o corpo dos homens com meu corpo quente e dizem que meu abraço é tão furioso que sufoca. Minha vítima têm o maior orgasmo de suas vidas, mas depois desfalecem e entram em crises de melancolia. Um dos privilégios é causar a loucura.

Assim me viram os homens, porque eu era livre e solidária.

(Atire em Sofia, pág. 178)

 

 

HÉCATE / ÁRTEMIS / PERSÍFONE

Hécate, deusa das encruzilhadas, que olhava em três direções. Era associada com o estranho e misterioso, e foi uma personificação da bruxa sábia. Hécate era associada com Persífone, a quem acompanhou quando a jovem retornou do inferno, e com a deusa da luz Ártemis.

Enquanto deusa da caça e da lua, Ártemis era uma personificação do espírito feminino independente. O arquétipo que ela representa possibilita a uma mulher procurar seus próprios objetivos num terreno de sua própria escolha. Já Persífone, única filha de Deméter e Zeus, raptada por Hades que a levou para o inferno para tornar-se sua noiva contra a vontade dela, predispõe a mulher a não agir, e sim ser conduzida pelos outros. Ela tornou-se rainha do inferno. "O inferno pode representar camadas das mais profundas da psique, um lugar onde as memórias e sentimentos foram 'enterrados' (o inconsciente pessoal) e onde as imagens, padrões, instintos e sentimentos, que são arquétipos e compartilhados pela humanidade, são encontrados (o inconsciente coletivo)".

Cérebro

Cão de Hades, guardava a porta do inferno, onde recebia à entrada as almas dos mortos, mas não lhes permitia sair. Nasceu do sangue de Equidna e Téfon.

As Harpias

Aves repelentes, com cabeça de mulher, garras aguçadas e o rosto pálido de fome. Tem conotação sinistra, freqüentemente representadas em tumbas.

Medusa

Criatura monstruosa temida na Terra. Tinha cabelos de serpente e transformava em estátuas de sal a todos que a olhassem.

A Esfinge

Era um monstro que assolava as estradas de Tebas. Tinha a parte inferior do corpo de leão e a parte superior de uma mulher e, agachada no alto de um rochedo, detinha todos os viajantes que passavam pelo caminho, propondo-lhes um enigma, com a condição de que passariam sãos e salvos aqueles que o decifrassem, mas seriam mortos os que não conseguissem encontrar a solução. Édipo aceitou o desafio e resolveu o enigma. A esfinge ficou tão humilhada que se atirou do alto do rochedo e morreu.

 

 

DEUSES DO CANDOMBLÉ

"O Candomblé é uma religião que trabalha com o segredo, o lado mudo do ser, o que a Olorum pertence. O Candomblé organiza o fragmentado, abrindo canais de expressão para o ser humano."

(http:// waia.olode.vila.bol.com.br)

Oiá ou Iansã

Oiá, mulher corajosa que, ao acordar, empunhou um sabre / Oiá, mulher de Xangô. / Oiá, cujo marido é vermelho / Oiá, que morre corajosamente com seu marido. / Oiá, vento da morte. / Oiá, ventania que balança as folhas das árvores por toda parte. / Oiá, a única que pode segurar os chifres de um búfalo.

(Atire em Sofia, pág. 17)

Faz-se conceber como uma mulher ativa, tempestuosa, inquieta e empreendedora, muito desinibida e cheia de iniciativa, contrapondo-se à passividade que se supõe apanágio de seu sexo. Rainha de Bale, a cidade dos mortos. É uma das esposas de Xangô.

Xangô

Autoritário, severo, líder, mandão, político, afortunado financeiramente e nos negócios, convencedor, ambicioso, sabe tratar os negócios como ninguém.

Líder nato e disciplinado acha que nunca está errado. Grande orador e comanda multidões como ninguém. Os filhos de Xangô tem aversão a morte, doenças e por vezes é muito explosivo.

Possui tendência a engordar pois é amante da boa comida. Apaixona-se facilmente e com a mesma facilidade perde o entusiasmo por este amor. Sexualmente é muito ativo, tende à relacionamentos extraconjugais.

Geralmente tem o corpo robusto, queixo marcante, mãos fortes e ombros largos.

"– Os orixás se reuniram para escolher a rainha da cidade. A escolhida foi Iemanjá.. E Iansã, louca de ciúmes, solta raios e desencadeia tempestades.

– Você está enganado – diz ela. – Iansã está chorando, isto sim, por muitas mulheres, gerações inteiras de mulheres que foram espezinhadas nesta cidade e nunca puderam protestar."

(Atire em Sofia, pág. 44)

Iemanjá

A senhora dos mares é uma ninfa majestosa, senhora de ar imponente e calmo, verdadeiro protótipo da Grande Mãe africana. De seu ventre nasceram os grandes deuses.

Gentil e compassiva, compreensiva e extremamente apegada ao marido e filhos. Honesta e amante das crianças, muito organizada e pontual, gosta da simplicidade. Faz o que é previsto sem muita imaginação. Seu humor é variável e adora objetos em miniaturas. Possui coração bondoso e consegue tudo o que quer. Veste-se na moda mas é muito discreta. É muito vaidosa, principalmente com os cabelos. Frágil, sensível e chorosa.

Geralmente tem postura altiva e elegante, nariz arrebitado, estatura média, maçã do rosto cheia e rosto comprido.

Ogum

Muito difícil de mudar de opinião, não gosta de críticas, não gosta de dividir lugar de destaque, gosta de esportes incomuns (alpinismo, corrida de carros, etc), orgulhoso, franco, não gosta de fraquezas dos outros, cuidadoso, metido e imponente.

Gosta de crianças e família, amor é para sempre. Seu sucesso é baseado em seus méritos. Possessivo e briguento por amor.

Gosta de amigos mas dificilmente confia neles. Muito exigente. Não recebe ordens. Veste-se muito bem.

Geralmente são magros com estatura mediana-alta, ombros largos, corpo atlético, cabelos crespos e cheios, queixo pontudo.

(Orixás da Bahia, Elyethe Guimarães de Magalhães – http://orbits.starmedia.comfokanimo/orix.02.html)

 

 

VII.            A INTEXTUALIDADE

1. Iron Maiden

"– Milena observa o dourado entardecer do início de janeiro, enquanto o aparelho de som, ligado a todo volume, traz os metais do Iron Maiden.

(...)'Velocidade e audácia, o início de uma nova era caracterizada pelos movimentos cada vez mais acelerados de um planeta musical em plena efervescência'.

(...)'A era dos longos coros e das fivulas técnicas terminou. Agora, é procurar a vibração mais forte, mais rápida, com o máximo de energia. É hora do massacre. A Virgem de Metal anuncia a chegada de um período com nova simbologia. Sua imagem é uma agressão visual – violenta, brutal, monstruosa, representando as tempestades de aço e as ressacas violentas do heavy metal'.

(Atire em Sofia, pág. 36-37)

O Iron Maiden começou a fazer sucesso mundial no começo dos anos 80 com músicas que demonstravam uma postura diferente dos New Ages que surgiam na época. Seguidores do Heavy Metal, recusaram qualquer tipo de proposta comercial que pretendesse mudar a irreverência da banda que não seguia os modismos e padrões da época. O nome Iron Maiden quer dizer donzela de ferro, um instrumento de tortura da época medieval.

Milena, ao se identificar com o grupo, reage contra os preconceitos de uma sociedade que via toda mudança de comportamento de forma negativa. Ela "deixa passar sempre uma imagem maldita, essa que o pai e a avó tiveram de engolir, embora finjam ignorar tudo. É sua vingança contra a marca que a cidade lhe impôs – continuará, sempre sendo a 'filha de Sofia", uma 'mulher perdida'."

 

2. The Doors – Jim Morrison

"Se minha poesia pretende atingir alguma coisa, é libertar as pessoas dos limites em que se encontram e em que se sentem."

"Abra as portas da percepção, atravesse para o outro lado

Siga a auto-estrada até o fim da noite

Visite cenários sobrenaturais dentro da mina de ouro."

(Jim Morrison)

... – Sabe, tenho certeza de que este ano ele vem para cá, no carnaval, vai dançar em cima de um caminhão de trio elétrico.

– Ele está morto, você sabe – diz Tetu.

– Não, é tudo mentira, ele não morreu. Continua vivo, é um feiticeiro, um xamã. E vem para cá no carnaval.

(Atire em Sofia, pág. 143)

– Jim! Jim! – ela grita.

Ele pára de dançar, inclina-se na direção de Milena, diz:

– Estou interessado em tudo que se relaciona com a revolta, a desordem, o caos. Estou mais interessado no lado sombrio da vida, no pecado, na face escondida da lua, na noite. O que eu quero é a liberdade para experimentar tudo. Quero experimentar tudo, pelo menos uma vez.

(...) – Diga-me alguma coisa sobre o rock.

– Percebi, de repente, que eu era, de certo modo, apenas um fantoche de uma porção de coisas que só entendia vagamente. E, no fim, cheguei à conclusão de que nós, os Doors, devíamos nos considerar políticos. Sim, de que devíamos ser encarados como políticos eróticos.

(...)

De longe, ela grita para Jim, em despedida:

– Eu sei que você quis, seriamente, sair de dentro de você mesmo e ir até os extremos, tão longe quanto se pode ir, sempre.

(Atire em Sofia, pág. 173)

Jim Morrison veio de uma família com larga tradição militar. Seu pai é oficial da marinha americana. Entretanto, no começo dos anos 60, depois de estudar psicologia na Flórida, decidiu estudar cinema na Los Angeles University. Estudar cinema e viver num antro de perdição como Los Angeles era demais para os seus pais que o ameaçaram de ser deserdado. Ele foi. Adeus, família.

Baseado na obra de William Blake e de Aldous Huxley (As portas da Percepção) termina por batizar a banda de "Doors". Produz sob o efeito do álcool e do ácido. Avesso a qualquer forma de disciplina e mantendo desde a adolescência um desrespeito radial por tudo que representasse o autoritarismo, Morrison não poderia ser moldado e dirigido como um artista comum. Contava quase sempre embriagado e fazia a apologia do álcool que ele dizia ser "um hábito integrado à cultura americana". Em julho de 71 é encontrado morto em um banheiro, num hotel de Paris, vítima de um ataque cardíaco, provocado, talvez, por uma overdose de cocaína.

(Coleção Internacional Rock – Ano I nº 1 e A banda que revolucionou o Rock – The Doors)

 

3. Onassis, Jacqueline Kennedy, Maria Callas

Onassis (Aristóteles Sócrates), armador grego (Uzmir, Turquia, 1906 -  Neuilly sur Seine, França, 1975), formou importante frota de petroleiros após a Segunda Guerra Mundial. Foi proprietário também de uma companhia aérea e vários hotéis na Grécia, acumulando uma das maiores fortunas do mundo.

Callas (Maria Kalogheropulos, dito Maria), cantora grega (nova York 1923 – Paris 1977). Desde o início de sua carreira no Scala de Milão, em 1950m foi cantora mais célebre de sua época, impondo uma personalidade vocal e interpretativa que influenciou notavelmente sua geração.

Noiva de Onassis na ocasião em que ele decidiu casar-se com a viúva do presidente americano, John Kennedy.

Jacqueline – ex-fotógrafa, esposa do presidente americano, John F. Kennedy, assassinado em Dallas, em 1963. Seu charme encantava não só o povo americano, mas os povos do mundo inteiro. Casa-se com o armador grego, Aristóteles Onassis, em segundas núpcias, em 1968.

Sua vida é marcada pelo luxo ostensivo e pela tragédia. Ela é uma das mulheres mais idolatradas do século XX. Morre em 1994, de câncer.

 

4. Scott Fitzgerald / Zelda

Escritor americano, nasceu em 1896 em Saint Paul, Minnesota. Alistou-se para a Primeira Guerra Mundial e desaponta-se por ela terminar sem que ele saia dos Estados Unidos. Neste período conhece Zelda e ficam noivos em 1919. Como ele não consegue emprego, rompem o noivado em 1920. Ele volta para Saint Paul e escreve "This Side of Paradise". Ele e Zelda reatam o noivado e casam-se.

Em 1925 escreve "The Great Gatsby", muito elogiado, mas sem sucesso financeiro. Ele e Zelda afundam-se no álcool e ela é internada com esquizofrenia.

Em 1933 é contratado como roteirista da M.G.M. Zelda tem uma recaída e volta para o hospital. A decadência financeira é total. Pede a seu agente que lhe arranje qualquer coisa, pois a M.G.M. não renova o contrato. Neste período conhece Sheilals Greahan que o acompanha até a morte em 1940. Ele está escrevendo "The Last Tycoon" quando é vítima de um ataque cardíaco. Ele e Zelda morrem no mesmo dia e são enterrados juntos.

 

5. Nelson Rodrigues

Este grande dramaturgo brasileiro nasceu em Recife, em 1912. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o pai fundou o jornal "A Manhã". Nele iniciou sua carreira jornalística aos 13 anos de idade. Desentendendo-se com o sócio, Mário Rodrigues, seu pai, funda outro jornal – Crítica. Uma mulher da sociedade,  que é acusada pelo jornal, de adultério, mata seu irmão Roberto. Seu pai afunda-se na bebida e morre 2 meses depois.

O jornal é fechado por ordem de Getúlio Vargas. A família passa um período de miséria. Nelson e um irmão ficam tuberculosos e o irmão vem a falecer.

O teatro surge em 1941 com "A mulher sem pecado". A grande aclamação vem com "Vestido de Noiva". A crítica é muito favorável pelo ineditismo do espetáculo. Além do mais ele choca o público por escrever sobre o pior da alma humana.

 

6. Maria Quitéria / Nelson Mandela

Maria Quitéria – (Bahia – 1792-1853) – Patriota Brasileira. Ao iniciar-se a Guerra da Independência, na Bahia, assentou praça no Exército. Formou uma companhia feminina, que se destacou na luta contra os portugueses, quando estes pretenderam desembarcar junto à foz do rio Paraguaçu. Terminada a guerra foi condecorada por D. Pedro I com a insígnia de cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro. Recebem também soldo de alferes de linha.

Nelson Mandela – 1918 – Líder político sul-africano, adere muito jovem ao Congresso Nacional Africano (CNA), partido da maioria negra da África do Sul. Após uma greve, em 1962, é preso e condenado a prisão perpétua, em 1964. Libertado em 1990, torna-se vice-presidente do CNA e luta pela emancipação política dos negros.

Em 1993 recebe o prêmio Nobel da Paz. Em 1994 é aclamado presidente, na primeira eleição multinacional depois de 350 anos de dominação branca.

(Agradecimentos aos professores Anya e José Carlos.
Material elaborado pela professora Anya Moura)

 

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Fonte: Vestibular1

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Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente

Auto da Barca do Inferno é um auto onde o barqueiro do inferno e o do céu esperam à margem os condenados e os agraciados. Os que morrem chegam e são acusados pelo Diabo e pelo Anjo, ma apenas o Anjo absolve. 

O primeiro a chegar é um Fidalgo, a seguida um agiota, um Parvo (bobo), um sapateiro, um frade, uma cafetina, um judeu, um juiz, um promotor, um enforcado e quatro cavaleiros. Um a um eles aproximam-se do Diabo, carregando o que na vida lhes pesou. Perguntam para onde vai a barca; ao saber que vai para o inferno ficam horrorizados e se dizem merecedores do Céu. Aproximam-se então do Anjo que os condena ao inferno por seus pecados. 

O Fidalgo, o Onzeneiro (agiota), o Sapateiro, o Frade (e sua amante), a Alcoviteira Brísida Vaz (cafetina e bruxa), o judeu, o Corregedor (juiz), o Procurador (promotor) e o enforcado são todos condenados ao inferno por seus pecados, que achavam pouco ou compensados por visitas a Igreja e esmolas. Apenas o Parvo é absolvido pelo Anjo. 

Os cavaleiros sequer são acusados, pois deram a vida pela Igreja. O texto do Auto é escrito em versos rimados, fundindo poesia e teatro, fazendo com que o texto, cheio de ironia, trocadilhos, metáforas e ritmo, flua naturalmente. Faz parte da trilogia dos Autos da Barca (do Inferno, do Purgatório, do Céu).


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Fonte: Vestibular1

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