Notícias que poderão ser temas de questões do ENEM 2011

Você já deve estar até cansado de ouvir dos seus professores: no ano do vestibular, é preciso acompanhar o noticiário, seja em jornais, revistas, televisão ou internet. E eles estão certos. Segundo os professores de língua portuguesa Bruno Santos (Impacto) e Walker Moreira (Ideal, Sucesso e Pitágoras), o Enem é uma prova que exige do aluno bastante interpretação de textos, gráficos, tabelas e charges. Logo, quanto mais o estudante estiver por dentro do que está rolando no Brasil e no mundo, mais facilidade terá para identificar o que está sendo pedido em cada questão. Conversamos com professores e fizemos uma lista dos temas mais quentes do momento. Agora, é meter a cara e estudar!

CHUVAS NA SERRA: - As chuvas que castigaram a região serrana do Rio no verão podem aparecer no Enem. Segundo o professor de geografia Maurício Novaes, a prova privilegia temas ligados à urbanização e ao meio ambiente. O impacto da ocupação desordenada de encostas e a erosão do solo estão ligados à tragédia.
 
COPA E OLIMPÍADAS: - Ninguém fala de outra coisa: qual será o legado da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016? O tema pode estar presente em diversas disciplinas. Na matemática, de acordo Felipe Abad, cálculos de geometria plana, como a área de um estádio, ou volume, para saber a quantidade de cimento a ser usada em uma obra, podem ser exigidos. Para Novaes, na geografia é possível tratar de investimentos em infraestrutura nas cidades-sede da Copa, crescimento do turismo e necessidade de qualificação de mão de obra para os eventos.

ACIDENTE NUCLEAR: - O terremoto no Japão e a consequente tragédia na usina de Fukushima comoveram o mundo e têm chance de cair no exame. Na parte de Ciências Naturais e suas Tecnologias, a abordagem deve envolver o que provocou o acidente e as medidas tomadas para minimizar a tragédia, assim como os efeitos da radiação e a contaminação da água e do solo. Até mesmo em história o assunto pode estar presente, principalmente relacionado à Segunda Guerra Mundial, durante a qual os Estados Unidos jogaram duas bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, e ao poder de recuperação japonês após os ataques.
MEIO AMBIENTE: - No ano que vem será realizada no Rio de Janeiro a conferência sobre o clima Rio 20. Nela, serão discutidas novas metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, entre outras medidas. Além disso, o Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados e em discussão no Senado, provoca polêmica com suas propostas de mudança na legislação para crimes ambientais, exploração em áreas de preservação permanente, entre outras. Os dois temas podem ser abordados nos âmbitos da química, da biologia e da geografia. Questões sobre energias limpas, combustíveis renováveis, créditos de carbono e também os ciclos da natureza podem aparecer.

MUNDO ÁRABE: - Este ano, o mundo viu explodirem diversas revoltas nos países árabes, no norte da África e no Oriente Médio. O professor de história Reis, do Colégio Darwin, Betel e CETEM, diz que esses eventos podem ser ponto de partida para a cobrança de conteúdos relacionados ao imperialismo, influência americana na região, regimes totalitários e até mesmo disputas ligadas à religião. O assassinato do líder da al-Qaeda Osama Bin Laden pelos EUA pode trazer também perguntas sobre terrorismo e as guerras do Iraque e do Afeganistão.
 
VULCÃO CHILENO: - Um vulcão no Chile provocou a maior confusão na América do Sul, com reflexos até na Austrália e na Nova Zelândia. Na química, questões relacionadas à composição do magma, os gases emitidos e os impactos disso no solo e nos sistemas hídricos podem cair. O vulcão também pode ser o gancho para falar de fenômenos naturais também na parte de Ciências Humanas e suas Tecnologias.

DITADURA MILITAR: - A eleição da presidente Dilma Rousseff, uma ex-militante de esquerda que viveu na clandestinidade e foi presa durante a ditadura militar, gerou grande expectativa, principalmente em relação à abertura de arquivos do período. Somado a isso, há grande mobilização pela aprovação do fim do sigilo secreto de documentos do governo e a criação de uma comissão da verdade para investigar os crimes ocorridos naquela época. Ou seja, assunto quente e atual.

ANO DA QUÍMICA: - Em 2011 são comemorados o Ano Internacional da Química, os 100 anos de Marie Curie, pioneira nas pesquisas sobre radioatividade, e também os 100 anos do modelo atômico de Rutherford. Olho vivo nesses temas.
 
CENSO 2010: - O Enem adora um gráfico e uma tabela. Com os dados do último censo divulgados no início do ano, é bem provável que haja questões ligadas à população, com uso desses recursos.

CRIMES VIRTUAIS: O governo brasileiro foi alvo da maior onda de ataques a sites oficiais na internet de sua história. As ações começaram em 22 de junho e duraram cinco dias. O grupo que assumiu a autoria é o mesmo que promoveu nos últimos dois meses os ataques a sites de empresas multinacionais, da CIA e do FBI nos Estados Unidos.

Os incidentes colocaram o Brasil na mira de uma nova tendência de ataques virtuais, de motivação política. Eles também deixaram o governo em alerta e mostraram o quanto empresas e Estado estão vulneráveis a invasões e roubo de dados sigilosos no país, além de abalarem a confiança dos usuários brasileiros em serviços públicos oferecidos na internet.

Foram atingidos os sites da Presidência da República, do Portal Brasil, da Receita Federal, da Petrobras e dos ministérios do Esporte e da Cultura. A página na internet do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi outra "vítima" dos hackers.

Ao todo, 20 portais do governo federal e 200 sites municipais, principalmente de prefeituras, foram afetados, de acordo com estimativa feita pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).

Na maior parte dos casos, os hackers usaram o método conhecido como DoS (Denial of Service, em português, "negação de serviço"). Ele consiste em infectar milhares de máquinas com programas robôs para que façam acessos simultâneos a determinado site ou serviço na rede. O servidor, que possui um limite de acesso, não consegue responder e trava ou desliga, tirando a página do ar.

Neste tipo de ataque não há invasão do computador ou roubo de dados pessoais. Mas ele pode causar prejuízos a milhares de pessoas que dependem dos serviços oferecidos on-line. Sites de governos foram tirados do ar por meio dessa técnica. A maioria das investidas partiu de computadores da Itália, para dificultar o rastreamento das autoridades.

Na internet, os autores chegaram a divulgar informações pessoais sobre funcionários da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. As informações, no entanto, eram falsas ou de conhecimento público.

Já o site do IBGE sofreu um tipo diferente de hackeamento. A homepage (página de abertura) do site foi desfigurada, isto é, foi substituída por outra, contendo a imagem de um olho humano pintado como a bandeira do Brasil e um texto com ameaças de novos ataques. Neste caso, houve invasão, mas, segundo o órgão, nenhum dado foi violado.

Em resposta, o governo informou que realizou a manutenção em alguns portais, para aumentar a segurança. A Polícia Federal abriu uma investigação para tentar identificar e indiciar os responsáveis.
 

Wikileaks

Os hackers surgiram nos anos 1960 nos Estados Unidos, associados a uma ideologia libertária que pregava o acesso livre a informações na internet. Com o tempo, ficaram mais especializados e surgiram os chamados crackers, criminosos que invadem os computadores para roubar senhas de cartões de crédito e outros dados pessoais dos usuários.

O vandalismo na rede cresceu nos anos 1990. Na década seguinte, foi a vez do aumento dos crimes virtuais. Hoje, há modalidades mais sofisticadas e que envolvem a segurança de países, como a ciberguerra e o ciberterrorismo.

Nos últimos meses se intensificaram as ações políticas na rede contra sites de governos. A explicação é a influência do Wikileaks, site do australiano Julian Assange que ficou famoso ao vazar dados confidenciais de governos na rede (veja indicação de livro abaixo). Assange cumpre prisão domiciliar no Reino Unido enquanto aguarda julgamento por acusações de crimes sexuais.

A autoria dos ataques em massa no Brasil - com exceção do site do IBGE, reivindicada pelo grupo Fail Shell - foi atribuída ao coletivo de hackers LulzSecBrazil, um braço do Lulz Security (ou LulzSec).

O LulzSec se tornou conhecido em maio deste ano. Em dois meses, o grupo realizou ações contra os sites das empresas de videogame Sony e Nintendo, das redes de televisão americanas Fox e PBS, da CIA (agência de inteligência americana) e do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.

No Reino Unido, o serviço público de saúde NHS também sofreu ataques. Dados de mais de 100 milhões de usuários foram divulgados no Twitter do coletivo. Apenas um suspeito foi preso, o britânico Ryan Cleary, 19 anos, apontado como um dos líderes do grupo. Ele foi libertado após pagar fiança.

Segundo os integrantes, as incursões foram feitas apenas por "diversão". Lulz é uma corruptela da sigla LOLs (Laughing Out Loud ou "rindo alto", uma gíria da internet).

Especialistas classificam o coletivo como "chapéu cinza", que indica danos leves aos alvos, em atos encarados como brincadeiras pelos autores. Os hackers classificados como "chapéus brancos" apenas informam as empresas de suas brechas na segurança, enquanto os "chapéus pretos" ou crackers são considerados criminosos que violam dados sigilosos para obter lucro.

Após 50 dias de atividades, o LulzSec anunciou sua dissolução no dia 26 de junho. Já a variação brasileira do grupo permanece ativa.

Segundo o CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil), o país registrou 142. 844 incidentes no ano passado. Neste ano, de janeiro a março, foram 90.759. O número corresponde a um aumento em quase 118% em relação ao trimestre anterior e de 220% comparado ao mesmo período em 2010. Os casos incluem invasão de servidores, desfiguração de páginas da web, fraudes, DoS e outros.
 
DIA MUNDIAL DO REFUGIADO:Conflitos armados como as revoltas árabes, em curso no Norte da África e no Oriente Médio, deslocam todos os anos milhares de pessoas de seus países de origem. Expulsas de casa pela guerra, elas se tornam personagens de um drama histórico em terras estrangeiras.

No último ano, 43,7 milhões de pessoas no mundo foram levadas ao exílio, a maior parte (27,5 milhões) por causa de conflitos ou perseguição política. O número é equivalente a população de países como Colômbia e Coreia do Sul.

É também o maior contingente dos últimos 15 anos, de acordo com o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

Os dados foram divulgados na véspera do Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho, e a pouco mais de um mês da comemoração dos 60 anos da Convenção Relativa ao Estatuto do Refugiado (28 de julho). As estatísticas são referentes ao ano de 2010 e não incluem o deslocamento de pessoas ocorrido este ano em razão das revoltas em países árabes como Líbia, Síria e Tunísia.

A Convenção de 1951 determina que refugiado é a pessoa que se encontra fora de seu país por temer ser perseguida por "motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas". Outras causas foram incluídas posteriormente: guerras, violações dos direitos humanos e desastres naturais, como o terremoto ocorrido no Haiti em janeiro do ano passado.

A concessão de asilo a refugiados é uma prática antiga, que remonta a civilizações como a Babilônia, o Egito e a Assíria. No século 20, as guerras mundiais provocaram um deslocamento em massa de populações na Europa.

Para o direito internacional, há diferenças entres os migrantes e os refugiados. Os migrantes, principalmente os econômicos, deixam seus países em busca de melhores condições de vida para a família. Já os refugiados precisam fugir para não serem mortos ou presos.

Segundo a ONU, 80% deles estão hoje abrigados em países pobres ou em desenvolvimento, sem condições de arcarem sozinhos com este ônus. O relatório informa que Paquistão, Irã e Síria são as nações que mais acolhem refugiados no mundo. Os países possuem, respectivamente, 1,9 milhão, 1,1 milhão e um milhão de exilados. Eles são, em sua maioria, fugitivos das guerras do Iraque e do Afeganistão.

No ano passado, 7,2 milhões de pessoas foram para o exílio por cinco anos ou mais. É o maior nível desde 2001. O aumento se deve às guerras que impedem que as famílias retornem aos seus lares. Somente 197,6 mil voltaram para seus países no ano passado, o menor número em 21 anos. As nacionalidades que lideram o ranking de refugiados são afegãos, iraquianos, somalis, congoleses e sudaneses.
 

Caso Battisti

No Brasil, existem 4.401 refugiados de 77 nacionalidades. Em sua maioria, eles são angolanos (38,37%), colombianos (14,27%), congoleses (10,31%), liberianos (5,87%) e iraquianos (4,61%). A maioria (64,17%) provém do continente africano.

Os dados são do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) do Ministério da Justiça. O Conare é o órgão responsável por reconhecer o status de refugiado no país.

No período da ditadura militar (1964-1985) muitos brasileiros também vivenciaram a condição de refugiados políticos. Militantes de organizações de esquerda tiveram que deixar o país e viver anos no exílio, para não serem presos ou mortos pelos aparelhos de repressão.

Atualmente, o caso mais polêmico envolvendo um refugiado no Brasil é o do italiano Cesare Battisti. Ele é considerado um terrorista foragido da Justiça italiana pela participação em quatro homicídios ocorridos entre 1978 e 1979. Nessa época, ele militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um braço armado das Brigadas Vermelhas.

Nos anos 1980, Battisti fugiu da prisão. Primeiro, foi para o México, e depois, em 1990, para a França. Ele foi julgado e condenado à prisão perpétua em 1993. Em 2004, teve a prisão decretada na França e fugiu para o Brasil. Foi preso em 18 de março de 2007 no Rio de Janeiro pela Polícia Federal.

Em janeiro de 2009, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, fez a concessão de refúgio a Battisti. Porém, em novembro do mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a decisão e decretou a prisão do italiano.

No final do ano passado, houve uma reviravolta no caso. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, em seu último ato no cargo, negou a extradição ao italiano, reafirmando a condição de refugiado. No dia 8 de junho, o Supremo decidiu, por 6 votos a 3, soltar o réu, que estava preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A soltura do ex-militante de esquerda provocou um mal-estar diplomático entre o Brasil e a Itália. O governo italiano informou que vai recorrer da decisão por meio de um processo junto ao Tribunal Internacional de Justiça, a Corte de Haia. Segundo as autoridades italianas, a decisão do STF viola tratados internacionais e bilaterais entre os países.

De acordo com a legislação internacional, qualquer pessoa condenada por crime comum que foge para escapar da prisão não pode ser considerada um refugiado. Somente podem ser reconhecidas como tal pessoas condenadas por crimes decorrentes do ativismo político. Battisti alega que sofre perseguição política, enquanto a Itália sustenta que ele cometeu crime comum.
 
 
 

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