O vestibular é o melhor método de avaliação?

 SIM


“O vestibular da UFRN tem seus princípios, seus objetivos e metas, e está engajado na política acadêmica”

Os exames vestibulares estão institucionalizados pelo MEC e surgiram com a função de ordenar o ingresso de alunos nas universidades, considerando o nível de conhecimento e a histórica defasagem entre candidatos e vagas. Ao longo dos anos e com a crescente procura por matrícula no ensino superior, principalmente nas universidades públicas, o vestibular foi construindo seu percurso sempre atrelado a uma concorrência desigual entre cursos e entre os candidatos oriundos das redes pública e privada.

Nos últimos quatro anos o vestibular da UFRN procura avançar na perspectiva de um processo mais diagnóstico e avaliativo e não apenas seletivo voltado apenas para classificar os mais ‘‘aptos’’. Em razão da importância que o vestibular da UFRN exerce no sistema de ensino do Rio Grande do Norte, consideramos que ele possa contribuir para elevar a qualidade do Ensino Médio, seja da rede pública ou da rede privada e não se constituir em um obstáculo pedagógico para a inovação didática do trabalho docente. É nessa perspectiva que o vestibular é considerado como um processo que induz conhecimentos, uma vez que suas provas, cada vez mais, exigem que os candidatos revelem um conjunto de capacidades, conhecimentos e habilidades transversais, tais como: saber usar diferentes linguagens; saber ler; argumentar, interpretar, analisar e escrever textos; ter domínio da língua culta; inferir, analisar e criticar, interpretar gráficos e tabelas; elaborar cálculos básicos e complexos, estabelecer relações, entre outros.

As mudanças implementadas já no vestibular desse ano fazem parte das orientações postas pela Política Inclusiva da UFRN, que conjuga o acesso e a inclusão com o desempenho dos candidatos. Assim, o Argumento Mínimo de Aprovação (AMA), será mais um fator para ajudar a definir o perfil de entrada dos candidatos aos cursos da UFRN, principalmente naqueles cursos em que a procura é bem menor.

O AMA evitará aprovações de candidatos com baixíssimo desempenho nas provas discursivas específicas do curso, oportunizando que um candidato em segunda opção, com melhor desempenho possa, ser aprovado. Essa é uma medida mais justa para com os candidatos que estudam e estão buscando uma chance de ingressar numa Universidade pública, de grande prestígio e com cursos de qualidade como a nossa.

Pelo exposto, fica evidente que o Vestibular da UFRN tem seus princípios, seus objetivos e metas, e que está fortemente engajado na política acadêmica da instituição. Nesse sentido, muitos são seus desdobramentos, propiciando a realização de estudos, pesquisas avaliativas e análises sobre a realidade educacional (Educação Básica e Superior) do Estado, focando suas ações para elevação da qualidade do processo ensino-aprendizagem, ampliando a interação com as redes de ensino do RN, elaborando diagnósticos a partir dos seus bancos de dados, disponibilizando-os para a comunidade acadêmica e educacional em geral. Por fim, destaca-se o papel da COMPERVE, que, do ponto de vista da sua atual estrutura, assumiu uma nova missão: tornar-se mais acadêmica, passando a desenvolver estudos e pesquisas sobre o vestibular e seus desdobramentos.


Não


“Os alunos vão com uma carga emocional muito fragilizada. As escolas não preparam os alunos para essa pressão”

O vestibular é um dos métodos que mais segmenta a educação. Se a gente defende a educação inclusiva hoje em dia, e estamos buscando a interdisciplinaridade, o vestibular segmenta. Pega as disciplinas, separa em provas e destroça o psicológico dos alunos que não estão preparados. Em um ano reúne disciplinas estudadas de nove anos, revisa em um e aplica em quatro dias. Na minha opinião, isso não avalia adequadamente. Existem outros aspectos além do pcisológico, que influeciam. Fui fiscal de vestibular por quatro vezes e percebia que tinha muito fiscal que não estava preparado psicologicamente para fiscalizar um vestibulando. Os alunos vão com uma carga emocional muito fragilizada, precisam de pessoas preparadas para recebê-los. As escolas não preparam os alunos para essa pressão.

O sistema de cotas veio para tentar remediar um sistemas que está falho. Veio para reafirmar que o sistema não funciona. Que a educação não é igual para todos. E isso reforça um ciclo de erros. Isso não é justo, o ensino público está muito distante do ensino em escolas particulares e o tempo vem criando uma competição muito grande entre as escolas. O aluno da escola pública não tem condições de concorrer de igual com os alunos da escolas particulares.

Um formato de avaliação ideal é o contínuo. Tem que ser feito um estudo da vida do aluno, não de um ano letivo apenas, mas de todo o histórico escolar. Isso vai mostrar outras habilidades. A universidade não é só a preparação para um curso, mas para toda uma vida, profissão. No dia-a-dia da escola a gente tem idéia da inteligência motora, cognitiva, sociabilidade e outros tipos de inteligência de cada aluno. Do intercâmbio cultural, artístico de cada um. Artes por exemplo, não entra no vestibular. São muitos fatores que não são avaliados pelo vestibular e respondem por muitos traços do indivíduo.

A atual reforma do vestibular foi positiva. A exigência da redação foi muito boa para reforçar a importância da escrita na era da internet. E também para analisar como o aluno se porta na hora de redigir sobre um tema. Desenvolver um pensamento. Mas nessa hora entra a preparação dos professores para avaliar esses textos. Objetivamente o vestibular é muito fácil, mas não é só isso. São reformas positivas mas não são suficientes.

Sou a favor do extermínio do vestibular. Porque ele gera uma pressão desnecessária. Naqueles quatro dias, gera uma pressão que um aluno excepcional pode não se dar bem por não estar bem naquele momento. Ele não avalia se o aluno é bom ou ruim. Apenas diz que nota ele pode tirar naquele dia, com aquele tipo de pergunta. Tive alunos que estudaram bastante e quando chegaram na prova, não caiu nada do que eles estudaram.

Isso acaba criando uma competitividade prejudicial entre as escolas. No sentido de qual escola que aprovou mais alunos no vestibular. Acredito que a competição deva existir na elaboração de projetos, na partte art;isticas, em melhores condições, e não no número e aprovados no vestibular. Isso acaba gerando um mercado educacional que é, por sua vez, altamente prejudicial para a educação.

Antigamente a educação e a avaliação era com disciplina em conjunto. Para resgatar o que acontecia no passado, criamos mais um termo: a interdisciplinaridade. E o vestibular, reafirmo, vem totalmente contra esse princípio. Algumas pessoas defendem que a História avalia um pouco do Português, que outra disciplina inclui outra, mas isso não é interdisciplinaridade. O certo é não segmentar as disciplinas. Mas o aluno não está preparado para isso já que tem 50 minutos para cada disciplina em sala de aula. E isso é um erro das escolas e continuado pela Comissão Permanente do Vestibular (Comperve).

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